Dólar fecha em alta e acima de R$ 3,90

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O dólar fechou hoje (26) em alta ante o real, em linha com o desempenho da moeda no exterior diante do cenário político conturbado nos Estados Unidos e em dia de atuação do Banco Central ofuscada pelo baixo volume de negociação no mercado doméstico.

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A moeda norte-americana avançou 0,64%, a R$ 3,9215 na venda. Na mínima da sessão foi cotada a R$ 3,8922 e na máxima a R$ 3,9421. O dólar futuro tinha alta de cerca de 0,4%.

No exterior, a recuperação das bolsas norte-americanas após fortes quedas na véspera do Natal ajudava o dólar a ganhar força contra a cesta das principais divisas globais. O movimento pressionou a cotação da moeda no mercado local, diante da baixa liquidez no período de fim de ano, segundo Fernanda Consorte, estrategista de câmbio do Banco Ourinvest. “Faz um tempo que o dólar só olha para o exterior e o movimento se dá em cenário de baixa liquidez”, sintetizou. “Embora o Banco Central tenha feito leilão de linha, o mercado está seco, qualquer notícia que afeta emergentes afeta o dólar aqui.”

A economista chamou atenção para os desdobramentos da paralisação parcial do governo de Donald Trump, que desde sábado (22) não possui financiamento para um quarto de seus programas devido a um impasse entre a Casa Branca e democratas sobre recursos para construção de um muro na fronteira com o México, do qual o presidente dos EUA não abre mão.

A insistência de Trump deve manter o governo parcialmente paralisado até janeiro, ou até que o Congresso aprove dinheiro para a obra na fronteira, indicou o presidente norte-americano hoje.

“Os mercados reagem às incertezas políticas nos EUA”, escreveram analistas da XP no início da sessão.

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Investidores também acompanham desdobramentos da evolução das negociações comerciais entre os EUA e a China, além da queda recente nas bolsas globais como indicador da desaceleração do crescimento mundial.

Enquanto negocia os termos de um acordo com a China para encerrar uma disputa comercial, Trump chegou a discutir reservadamente a demissão do chairman do Fed, Jerome Powell, e voltou a atacá-lo na véspera do Natal, dizendo que o banco central era o “único problema” da economia dos EUA.

Nesta sessão, um auxiliar econômico da Casa Branca tentou afastar as preocupações afirmando que não há risco de Powell deixar o posto de chairman do banco central dos EUA.

“Desde sua eleição em 2016, com maior ênfase a partir do fim de 2017, Trump tem sido um elemento de disrupção constante para o mercado financeiro norte-americano e global”, escreveu Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset. “Um dos grandes baluartes da economia norte-americana é a independência formal do banco central e o pedido constante de demissão de Powell por parte de Trump e suas reclamações com o Fed têm ecoado negativamente no mercado, levando à pior véspera de Natal das bolsas do país”, completou.

Desde semana passada, o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, fez uma série de contatos para monitorar o mercado após o S&P 500 sinalizar que pode ter o pior mês desde a Grande Depressão, há quase um século.

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Após consultar a liquidez dos seis maiores bancos do país, Mnuchin ouviu dos reguladores financeiros que não há nada fora do normal nos mercados, movimento que deixou investidores receosos.

O Banco Central brasileiro vendeu integralmente a oferta de US$ 2 bilhões com compromisso de recompra, no sexto leilão da autoridade monetária em dezembro para aumentar a liquidez em momento de tradicional saída de recursos do país. Incluindo o leilão desta sessão, a autarquia ofereceu US$ 7 bilhões em leilões do tipo em dezembro.

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