Nubank inaugura escritório no México

Reuters
O movimento acontece quase seis anos após o surgimento da plataforma digital de serviços financeiros

O Nubank inaugura hoje (7) seu escritório no México, dando partida a um processo de expansão internacional que pode se espraiar para outros mercados da América Latina nos próximos anos.

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Sob a marca “Nu”, o escritório mexicano começa com uma equipe de 20 pessoas. O plano é que os primeiros cartões, de crédito ou de débito, sejam emitidos no segundo semestre.

O movimento acontece quase seis anos após o surgimento da plataforma digital de serviços financeiros, que se popularizou no Brasil por meio de seus cartões de crédito roxos sem taxa de anuidade. A empresa tem hoje cerca de 8,5 milhões de clientes.

Em outubro do ano passado, David Vélez, fundador e CEO do Nubank insinuou, durante entrevista a Forbes Brasil, a possibilidade de crescimento internacional, embora o executivo tenha dito na época que os planos de expansão para fora do Brasil estariam no horizonte de cinco a dez anos. “Vários países latino-americanos têm populações muito jovens que usam Netflix, Uber, Spotify, que interagem com serviços essenciais por meio da tecnologia”, disse ele. “Esses países também têm oligopólios bancários igualmente concentrados cobrando taxas muito altas, usam a tecnologia de maneira antiquada e não têm o cliente no centro de suas estratégias”, acrescentou.

Segundo a vice-presidente de operações do Nubank, Cristina Junqueira, características similares entre Brasil e México, incluindo grande número de desbancarizados, grande acesso a serviços de internet móvel e setor bancário altamente concentrado permitem que a companhia possa também crescer lá de forma relativamente rápida.

Segundo dados do Banco Mundial, citados pelo Nubank, o México tinha no fim de 2017 cerca de 36 milhões de pessoas sem acesso ao sistema bancário. Além disso, assim como no Brasil, mais de 80% dos ativos financeiros no México estão concentrados em só cinco instituições.

Esse cenário, mais o elevado percentual da população com acesso a serviços de internet móvel e da regulação pró-competição, permitiu a rápida proliferação das fintechs no Brasil nos últimos anos.

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“E ainda há uma vantagem: a penetração dos cartões no gasto privado das famílias é sensivelmente menor do que no Brasil, o que cria uma grande oportunidade para nós”, disse Cristina em entrevista à Reuters.

A executiva citou ainda o fato do México ter aprovado no ano passado uma regulamentação para funcionamento das fintechs, mas aquele mercado ainda experimenta uma fase similar à vivida pelo Brasil há cerca de cinco anos, quando esse setor começou a ganhar tração. Hoje, já são mais de 400 dessas entidades em operação no mercado brasileiro, segundo dados do Banco Central.

Sem revelar valores, a executiva disse que o investimento para início das operações no México é menor do que o feito nessa fase do negócio no Brasil e que não vai consumir recursos dos US$ 180 milhões recebidos pelo Nubank da empresa chinesa de internet Tencent, em outubro passado.

Desde que surgiu há pouco mais de cinco anos, o Nubank já recebeu mais de US$ 400 milhões em sete rodadas de investimento de investidores como Sequoia Capital, Kaszek Ventures, Tiger Global Management e da própria Tencent.

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Para Cristina, mesmo com o processo de internacionalização, o foco do Nubank segue sendo ampliar serviços no Brasil. Após ter começado a operar contas de pagamentos, a plataforma começou neste ano a oferecer crédito pessoal no país, o que deve ser lançado em larga escala nos próximos meses.

Na esteira da expansão da base de clientes e do leque de produtos, o Nubank tem simultaneamente ampliando sua equipe, hoje com cerca de 1,5 mil funcionários.

MERCADO DE PAGAMENTOS

A chegada do Nubank ao México acontece no momento em que a concorrência no setor de pagamentos no Brasil deu uma guinada nas últimas semanas, desde que a Rede, braço de adquirência do Itaú Unibanco anunciou que ia zerar a cobrança de juros na antecipação de recebíveis.

Para analistas, o movimento deve reduzir ainda mais as margens do setor e pressionar operadoras não ligadas a bancos, que têm menos poder de mercado.

Para Cristina, no entanto, o movimento da Rede é positivo e o Nubank está pronto para competir. “O aumento da competição é um movimento lindo”, disse ela.

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