Dólar tem maior alta em 1 mês com ajuste local

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O dólar à vista saltou 1,16%, a US$ 3,8992 na venda

O dólar registrou hoje (14) a maior alta ante o real em quase um mês e acumulou valorização na semana, a primeira depois de três quedas seguidas, com investidores evitando exposição antes do fim de semana e repercutindo o exterior cauteloso, ruídos locais e chances de nova queda de juros no Brasil.

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Uma medida de incerteza para a taxa de câmbio disparou. A volatilidade implícita das opções de dólar/real com vencimento em três meses subia para 13,5% ao ano, maior patamar desde 22 de maio.

O dólar à vista saltou 1,16%, a US$ 3,8992 na venda. É o maior ganho diário desde 17 de maio (1,62%). O patamar de fechamento é o mais elevado desde 31 de maio (R$ 3,9244). Na máxima, a cotação bateu R$ 3,9144, valorização de 1,55%. Na semana, o dólar à vista subiu 0,56%.

Na B3, o dólar futuro de maior liquidez subia 1,38%, a R$ 3,9065.

A moeda norte-americana já vinha em alta desde cedo, alavancada pela força no exterior, após dados firmes nos Estados Unidos levantarem dúvidas sobre o espaço para cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed).

Mas as compras se aceleraram na esteira de críticas do ministro da Economia, Paulo Guedes, a deputados.

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Irritado com o parecer apresentado ontem (13) pelo relator da reforma da Previdência em comissão especial da Câmara, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), Guedes fez críticas a alguns servidores do Legislativo. Em resposta a Guedes, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que na democracia vale a vontade do coletivo.

O receio é que volte o clima de animosidade entre Congresso e Executivo, que em meses passados fez os mercados se deteriorarem à medida que colocou em dúvida a aprovação de uma reforma da Previdência com potência fiscal suficiente para reequilibrar as contas públicas.

“Guedes falou o que todo mundo acha, mas não podia ter falado”, resumiu um gestor em São Paulo.

Além do exterior e do noticiário político, fatores técnicos pressionaram o dólar. Operadores chamaram atenção para a crescente aposta em queda da Selic, o que reduziria ainda mais o diferencial de juros entre Brasil e EUA. O efeito desse raciocínio ficou ainda mais claro em um dia em que o mercado diminuiu posições em prol de redução de juros nos EUA.

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Esse diferencial de taxas está atualmente em mínimas históricas, o que desestimula a vinda de “caçadores de retornos” ao Brasil – portanto, enfraquecendo a perspectiva de fluxo cambial.

A Selic está atualmente em 6,50% ao ano, enquanto o juro básico nos Estados Unidos se encontra no intervalo entre 2,25% e 2,50%.


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