Codorníu Raventós negocia venda para Carlyle Group

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Mar Raventós, presidente da Codorníu, acredita que “o acordo vai impulsionar a empresa no exterior”

Algumas pessoas em Barcelona ​​estão estourando champanhe – na verdade cava, a espetacular versão catalã do tradicional vinho espumante fermentado em garrafa.

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Depois de cerca de cinco séculos do mais antigo controle do setor por empresas familiares espanholas, um anúncio recente chacoalhou o mercado: a Codorníu Raventós, especializada na produção da bebida, avisou que está negociando a venda de uma grande participação para o fundo de private equity Carlyle Group.

Quando questionada sobre o tamanho do negócio, a gerente global de comunicações da Codorníu Raventós, Maria Vidal, não respondeu. Mas o comunicado distribuído à imprensa fez referência a uma “participação majoritária” na empresa avaliada em cerca de US$ 331,5 milhões (€ 390 milhões). Maria também não pôde dizer quando o acordo será finalizado, embora a nota oficial desse como prazo o final de 2018.

Mar Raventós, presidente da Codorníu, acredita que “o acordo vai impulsionar a empresa no exterior”. Além disso, está centrado na construção de marcas valiosas e de prestígio.

A Codorníu Raventós já possui dez vinícolas em regiões da Espanha – Penedès, Aragón, Priorat e Ribera del Duero -, assim como Artesa, em Napa, na Califórnia, e Septima, em Mendoza, na Argentina. Segundo a empresa, ela produz 20 grandes marcas internacionais com “presença nos cinco continentes e em mais de 100 países”.

Se a empresa acabará ingressando em um ou mais mercados acionários após a venda de sua participação majoritária, ainda é especulação, mas é provável que ela acabe sendo vendida novamente depois. Segundo o site do Carlyle Group, um dos objetivos da empresa é “investir em ativos, trabalhar para melhorá-los e tentar vendê-los com lucro”.

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Enquanto isso, administrada pela Carlyle Europe Partners, a Codorníu provavelmente se expandiria por meio de um programa de aquisições globais. De fato, o Carlyle Group declarou que pretende “construir sobre essa trajetória de sucesso ao apoiar a empresa com o crescimento de sua presença global, tanto organicamente quanto por meio de aquisições, e para aumentar ainda mais sua posição em vinhos de qualidade”.

Fundado por uma combinação de cinco magnatas dos negócios, banqueiros e bilionários, o Carlyle começou em Washington, em 1987, com US$ 5 milhões levantados pelas empresas T. Rowe Price, Alex Brown & Sons e a família de Richard King Mellon. Os sócios fundadores batizaram a empresa em homenagem ao Carlyle Hotel, em Nova York, onde dois dos cinco diretores, Stephen L. Norris e David M. Rubenstein, encontravam-se com frequência para discutir a formação de seu novo negócio de investimento.

Hoje, o grupo é um gestor global de ativos com cerca de US$ 200 bilhões administrados de 31 escritórios na América do Norte, América do Sul, Europa, Oriente Médio, África, Ásia e Austrália.

A tradicional Codorníu Raventós está entre os primeiros adeptos da agricultura sustentável e da vinificação – não é exatamente um produto orgânico, mas a empresa orgulha-se de minimizar sprays químicos, fazer uso eficiente dos recursos hídricos e tomar cuidado para não perturbar os ecossistemas naturais dos vinhedos. Além disso, diz que reduziu sua pegada de carbono ao diminuir o peso das garrafas que usa e gerenciar resíduos e recicláveis ​​com base em sólidos princípios ambientais.

O que se espera agora é que essa negociação não resulte em um aumento no preço do espetacular Codorníu Cava: atuais US$ 8 por garrafa.

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