10 destaques brasileiros abaixo dos 30 anos

Forbes
No total, foram selecionados 90 jovens de até 30 anos de idade

A lista FORBES Under 30 deste ano reúne o que de melhor nossa equipe e nossos conselheiros analisaram na plataforma de inscrições e no mercado, nas mais diferentes categorias. Algumas dessas categorias são mais abrangentes do que seu nome sugere (como indústria, por exemplo), de modo a contemplar talentos difíceis de classificar – mas que não poderiam ficar de fora por sua relevância, influência, ousadia e talento.

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Foram selecionados 90 jovens de até 30 anos de idade divididos em: Artes & Espetáculos/Entretenimento; Artes plásticas/Design/Estilo; Ciência/Educação; Direito/Política; Esportes; Finanças; Gastronomia; Indústria; Música; Tecnologia; Terceiro setor; Varejo/E-commerce; Web.

Veja, na galeria de fotos abaixo, os 10 destaques brasileiros abaixo dos 30 anos:

  • ARTES PLÁSTICAS/DESIGN/ESTILO

    Aisha Mbikila, 21

    Filha de pai angolano e mãe brasileira, a modelo e DJ brasiliense Aisha Mbikila Garcia Fikula tem em seu nome o seu jeito de ser. No idioma africano swahili, Aisha significa vida. Divertida e esfuziante, a modelo se tornou a única brasileira a integrar a nova campanha da Nike.

    A família carioca se mudou para Brasília em 1959 – o avô era o único negro integrante da equipe de planejamento do arquiteto Oscar Niemeyer. Os pais se separaram e Aisha foi criada pela mãe e pela avó. “Cresci numa família matriarcal. Minha avó, Lídia Garcia, era militante do movimento negro e arte educadora. Tinha um ateliê de moda étnica e foi nesse ambiente que me iniciei na moda”, conta ela. A mãe, professora concursada, foi uma das primeiras professoras negras de Brasília.

    As duas referências fortes femininas tornaram Aisha uma menina independente, apaixonada por música e dança e com vontades próprias. Aos 12 anos começou a pesquisar danças africanas e dois anos depois, com um grupo de amigas, montou a companhia de dança Ashantis Negras, em homenagem à etnia de Gana, na África. Em Brasília, Aisha se apresentava com o grupo em diferentes palcos. Foi também na capital do país que ela começou a trabalhar como modelo, sem nunca deixar a dança e os esportes, como ginástica rítmica.

    Aos 17 anos, decidiu mudar-se para São Paulo, onde via mais chances de engrenar sua carreira de modelo. Não deu outra. Além de campanhas de marcas famosas, Aisha ainda recentemente embarcou para a Patagônia para fazer um especial para o canal National Geographic. Com intenção de ingressar no cinema, ela ainda cursa teatro na SP Escola de Teatro. Seu sonho? “Quero desconstruir todos os padrões impostos às mulheres negras.”

  • INDÚSTRIA

    Bruno Sindona, 30

    As histórias pessoal e profissional do CEO da Sindona Incorporadora, voltada à classe C, se mesclam. Bruno cresceu na periferia de Osasco e o pai, mestre de obra, sempre foi empreendedor. A mãe herdou um terreno e, em 2000, o vendeu a uma construtora, que não terminou a obra. A família brigou anos na Justiça, até que, em 2008, retomou o terreno e com R$ 150 mil acabou o edifício de 32 unidades. Em 2011, a empresa contratou 90 pessoas para duas obras simultâneas, com moradias 25% mais baratas. “Em 2012, minha mãe faleceu e, três anos depois, fui baleado em um assalto, o que me fez ressignificar a vida”, conta. “O nosso sonho sempre foi morar bem”, diz ele, alegando entender a periferia. Então a incorporadora passou a oferecer habitações personalizadas. A empresa, que hoje fatura R$ 32 milhões, prevê um grande salto em 2020 ao inaugurar o Sindona Parque.

  • GASTRONOMIA

    Felipe Braga, 29

    Felipe assumiu a posição de CEO no Suplicy Cafés no segundo semestre de 2017, e desde então a empresa passou por um reshape total, reposicionamento das lojas, abertura de pontos de venda e toda uma nova estratégia – o que explica os 180% de crescimento no último ano. O objetivo para 2019, segundo Braga, é “construir uma empresa para os próximos 15 anos de forma sólida”. Formado em administração pela FAAP e com bootcamp de empreendedorismo no prestigiado Babson College, conta que um de seus objetivos é poder ajudar quem está começando: “O setor food & beverage ainda é muito mistificado aqui no Brasil. Eu penso que a minha dor poderia ter sido menor. Não tem muito conhecimento, por exemplo, eu nunca tive uma aula na faculdade do assunto… É bem distante”.

  • Ciência/Educação

    Hector Gusmão, 29

    O CEO da Fábrica de Startups do Brasil já era empreendedor aos 6 anos, ao produzir e vender esculturas. Aos 18, tornou-se gerente da academia da mãe. Formado em administração pela PUC (RJ), entrou na MPX Energia em 2011. Nessa época, criou com o primo Bruno Castello, que se tornaria seu sócio, a Triplin, para compra de viagens. A startup estourou e os dois foram ao Vale do Silício. Em 2015, entraram na aceleradora portuguesa, trazendo-a ao Brasil em 2017. “Serão aceleradas 130 startups por ano, com faturamento de R$ 50 milhões”, diz.

  • TERCEIRO SETOR

    Isabelle Drummond, 26

    A arte dramática é a face mais conhecida de Isabelle, atriz há 18 anos. Mas a jovem é também empresária e altamente engajada em causas sociais. Em 2017, fundou a Casa 197, organização independente que estuda, desenvolve e executa iniciativas sociocomunitárias.

    Para manter os projetos sociais com os quais se envolve, Isabelle se aventurou no mundo empresarial e, no ano passado, junto com uma amiga, fundou a Levê Pocket, especializada em comida natural. Parte dos lucros é destinada ao financiamento das iniciativas da atriz no terceiro setor. “É muito difícil empreender no social e destravar recursos mensais. A Levê nasceu para isso, de maneira que parte da receita servisse de suporte para a continuidade das nossas ações”, diz ela.

    A Casa 197 apoia causas variadas. Entre elas, estão os banquetes oferecidos a moradores de rua, que atendem cerca de 80 pessoas por refeição no Rio de Janeiro; o apoio ao Retiro dos Artistas, entidade carioca de amparo a artistas idosos em dificuldades financeiras e emocionais; e uma casa de acolhimento infantil chamada Vila Betânia, em Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco. Isabelle, que também é embaixadora da ONG internacional Animal Equality, confessa ter carinho especial pelas iniciativas ligadas a crianças.

    Os atuais projetos em estudo, estruturação e implantação envolvem um lar de acolhimento para idosos abandonados, o desenvolvimento de uma comunidade carente sustentável no Rio, com impacto direto em 400 pessoas, e um programa voltado para as artes, que será lançado em 2019.

  • ESPORTE

    Letícia Bufoni, 25

    Quem acha que o Brasil não tem mais atletas na posição máxima do esporte mundial está se esquecendo de Letícia Bufoni. A paulistana moradora de Los Angeles, na Califórnia, desde os 13 anos, é considerada hoje o principal nome do skate feminino no mundo. Skatista desde os 9 anos, ela é dona de sete medalhas do X Games (três delas de ouro, conquistadas em 2013 em Barcelona, Los Angeles e Foz do Iguaçu), além ser a primeira mulher a ganhar o Super Crown da Street League, um dos mais importantes campeonatos de skate de rua. Bufoni também uma das vozes mais ativas para a adoção do skate como modalidade nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020. Agora, ela é uma das grandes apostas do Brasil para medalha. Com uma pista de skate própria em casa, Letícia passa seus momentos de folga viajando, praticando um pouco mais e se divertindo com outros esportes, como surfe e futebol.

  • MÚSICA

    Kevinho, 20

    Vinte anos de idade e seis de carreira – se contarmos o primeiro momento, ainda como uma brincadeira despretensiosa. No caso de Kevin Kawan, conhecido como Kevinho, esse tempo já é suficiente para somar milhões, sejam visualizações no YouTube (seu principal meio de divulgação), sejam seguidores em redes sociais. Consequentemente, a agenda de shows é tão concorrida quanto abrangente – num papo breve com o produtor durante a sessão de fotos para esta matéria, histórias de shows em estados diversos como Tocantins, Goiás, Rio Grande do Sul e Paraná apareciam como se esses lugares estivessem a poucos quilômetros de distância entre si. O Brasil é grande, mas é pequeno para o alcance do funk.

    Carismático, Kevinho se preocupa em ser o que realmente é atrás ou na frente da câmera. Talvez por essa transparência, também seja figura presente em campanhas publicitárias com certa frequência – Netflix e McDonald’s, onde explorou o seu bordão “cê acredita?”, foram as mais recentes e barulhentas. A música que apareceu adaptada na propaganda da rede de fast food é “Olha a explosão”, de 2016, que foi o grande ponto de virada da carreira do artista.

    E por ser quem realmente é, Kevinho tem voz ativa em todas as atividades da sua carreira. “Eu penso até nos roteiros dos meus clipes. Em ‘O Bebê’, a ideia foi minha com o KondZilla (diretor de clipes de funk, dono do maior canal brasileiro do YouTube e que já esteve no Under 30 em 2017), a gente nem usou os roteiristas da empresa. Sempre dou opinião e me escutam porque vivo isso diariamente. Eu sou real, vivo o funk desde os 13”, conta Kevinho, lembrando do tempo em que a música era apenas uma brincadeira entre amigos.

    Ainda faltam dez anos para os 30. Mas será que Kevinho já tem planos? “Quero ter o meu escritório para empresariar outros artistas. Mas ainda quero estar cantando também.” Cê acredita?

  • Direito/Político

    Kim Kataguiri, 22

    Foi um debate em sala de aula sobre o Bolsa Família que criou Kim Kataguiri como o conhecemos hoje. Quando fazia o ensino médio técnico em desenvolvimento de sistemas, o neto de imigrantes japoneses interessou-se pelo programa que, segundo o professor, havia ajudado a tirar o Brasil da pobreza. “Fui estudar melhor, pesquisei muito e vi que o Brasil estava bem, mas caminhava muito mais devagar que a China, por exemplo, e a política fazia crescer mais a classe média do que os pobres”, conta. Para discordar do professor, ele fez um vídeo no YouTube, que viralizou. “Começaram a me pedir para falar sobre outros temas.” Os vídeos, em que ele bradava contra a esquerda e a favor do liberalismo e da economia de mercado, o catapultaram à fama.

    O Movimento Brasil Livre, o MBL, do qual é um dos cocriadores, nasceu a partir daí, na esteira das manifestações pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2014. Kim e seu MBL foram ganhando cada vez mais projeção – em 2015, a revista americana Time incluiu o rapaz na lista dos 30 jovens mais influentes do mundo.

    E ele acredita que entrar para a política foi um caminho natural. “Organizamos um movimento que foi bem-sucedido em seu propósito de derrubar um governo. Minha ‘penalidade’ era oferecer uma alternativa”, diz sobre a candidatura em 2018 a deputado federal. Os 465.310 votos recebidos supreenderam inclusive a ele. “Pensava que uns 200 mil votos já seria um cenário bem positivo”, afirma Kim, que conta estar se acostumando à ideia de ir a Brasília toda semana, enquanto tenta formar-se em Direito. “Quero depois fazer mestrado e doutorado e dar aulas, e ao mesmo tempo continuar parlamentar”, responde, quando perguntado aonde quer chegar. “E o MBL tem que chegar à presidência da República.”

  • FINANÇAS

    Pedro Conrade, 26

    O empreendedor Pedro Conrade segue firme e forte no comando da Neon, empresa de pagamentos que criou em 2016. A startup paulistana oferece conta digital e cartão de crédito para uma carteira de 1,7 milhão de usuários, entre pessoas físicas e jurídicas. Em maio deste ano, a fintech sofreu um duro golpe com a liquidação extrajudicial do Banco Neon, seu banco parceiro, e logo depois, fechou com o Banco Votorantim para seguir operando. “A minha principal conquista de 2018 foi ter a certeza de que a Neon é uma empresa forte, cheia de pessoas altamente capacitadas, capazes de passar por desafios que ninguém imaginaria,” avalia Conrade. Apesar dos percalços do ano, o fundador ressalta que a empresa tem várias razões para celebrar: além de um aporte de 72 milhões de reais, conseguiu chegar a 200 funcionários, definir uma nova liderança e lançar novos produtos.

  • WEB

    Pyong Lee, 26

    Paulistano filho de um casal sul-coreano que veio ao Brasil há três décadas em busca de melhores oportunidades, Jaime Young-Lae Cho, mais conhecido como Pyong Lee, diz que sempre gostou de ser o centro das atenções. Começou dançando break, mas aos 10 anos percebeu que a mágica era um entretenimento mais amplo, capaz de agradar a todos os tipos de público. Participou de programas de televisão e, com o surgimento da internet em larga escala, decidiu criar, em 2013, um canal no YouTube para tratar do assunto.

    Em 2016, depois de fazer mais de uma dezena de cursos no Brasil e no exterior sobre hipnose, Pyong Lee passou a abordar o tema na plataforma. Com mais de 5 milhões de inscritos e 280 milhões de visualizações, o canal serve, atualmente, como uma vitrine para algo maior. O jovem inquieto gasta parte do seu tempo preparando cursos online e ministrando versões presenciais sobre hipnose e planeja a abertura, em março de 2019, de um Instituto de Desenvolvimento Humano. “Mergulhei na programação neurolinguística e em todos os tipos de terapias hipnóticas para ajudar as pessoas a lidarem com problemas psicossomáticos, que podem ser tão graves a ponto de levar ao suicídio. Acabou virando uma missão de vida”, diz ele, cujo maior orgulho é ter livrado da depressão uma pessoa que vivia nela há mais de 20 anos.

    Atualmente, Pyong Lee – que já lançou livro e virou personagem da Turma da Mônica – revela que seus principais rendimentos ainda vêm de contratos com marcas como LG, Fanta e McDonalds, mas que a incursão no mundo dos cursos está ganhando uma fatia cada vez maior do bolo. “Até agora, são cerca de 2 mil alunos atendidos via internet e 200 presencialmente.”

ARTES PLÁSTICAS/DESIGN/ESTILO

Aisha Mbikila, 21

Filha de pai angolano e mãe brasileira, a modelo e DJ brasiliense Aisha Mbikila Garcia Fikula tem em seu nome o seu jeito de ser. No idioma africano swahili, Aisha significa vida. Divertida e esfuziante, a modelo se tornou a única brasileira a integrar a nova campanha da Nike.

A família carioca se mudou para Brasília em 1959 – o avô era o único negro integrante da equipe de planejamento do arquiteto Oscar Niemeyer. Os pais se separaram e Aisha foi criada pela mãe e pela avó. “Cresci numa família matriarcal. Minha avó, Lídia Garcia, era militante do movimento negro e arte educadora. Tinha um ateliê de moda étnica e foi nesse ambiente que me iniciei na moda”, conta ela. A mãe, professora concursada, foi uma das primeiras professoras negras de Brasília.

As duas referências fortes femininas tornaram Aisha uma menina independente, apaixonada por música e dança e com vontades próprias. Aos 12 anos começou a pesquisar danças africanas e dois anos depois, com um grupo de amigas, montou a companhia de dança Ashantis Negras, em homenagem à etnia de Gana, na África. Em Brasília, Aisha se apresentava com o grupo em diferentes palcos. Foi também na capital do país que ela começou a trabalhar como modelo, sem nunca deixar a dança e os esportes, como ginástica rítmica.

Aos 17 anos, decidiu mudar-se para São Paulo, onde via mais chances de engrenar sua carreira de modelo. Não deu outra. Além de campanhas de marcas famosas, Aisha ainda recentemente embarcou para a Patagônia para fazer um especial para o canal National Geographic. Com intenção de ingressar no cinema, ela ainda cursa teatro na SP Escola de Teatro. Seu sonho? “Quero desconstruir todos os padrões impostos às mulheres negras.”

*POR ANGELICA MARI, CLÁUDIA DE CASTRO LIMA, GABRIELA ARBEX, GIULIANNA IODICE, JULIANA ANDRADE, KÁTIA MELLO, LUCAS BORGES TEIXEIRA E MARCOS HENRIQUE LAURO. COORDENAÇÃO EDITORIAL JOSÉ VICENTE BERNARDO. FOTOS GUSTAVO ARRAIS.

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