Expatriados apontam Brasil como o país mais perigoso para se viver

Getty Images / wsfurlan
Carro de polícia estacionado na calçada da Praia de Ipanema, na cidade do Rio de Janeiro

Resumo:

  • A lista dos 20 países mais perigosos para se viver em 2019 foi baseada no mais recente Estudo de Expatriados da InterNations;
  • Na subcategoria “segurança e proteção”, os entrevistados consideraram três fatores, os quais contemplam tranquilidade, segurança pessoal e estabilidade política;
  • O Brasil ocupa o 1º lugar no ranking, com queixas dos expatriados sobre instabilidade política, desigualdade social e brutalidade.

A InterNations divulgou seu mais recente Estudo de Expatriados, um relatório detalhado sobre como é viver e trabalhar no exterior, em 64 países ao redor do mundo. Para a pesquisa de 2019, a InterNations entrevistou 20.259 expatriados que representam 182 nacionalidades e vivem em 187 países ou territórios, cobrindo tópicos como qualidade de vida, custo de vida e finanças pessoais, entre outros. Na subcategoria “segurança e proteção”, os entrevistados classificaram três fatores, que contemplam tranquilidade, segurança pessoal e estabilidade política. Os resultados foram compilados a fim de criar um ranking dos lugares mais perigosos para se viver. 

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No topo da lista, está o Brasil, seguido pela África do Sul como o segundo pior lugar, e logo depois a Nigéria. “São os três países inferiores na subcategoria ‘segurança e proteção’ e também os três destinos com pior classificação em segurança pessoal, curiosamente”, diz Malte Zeeck, fundador e coCEO da InterNations. “Por exemplo, na África do Sul, que está em último entre os 64 países pesquisados nesta categoria, 63% dos expatriados dizem que não se sentem seguros, e 22% afirmam se sentir até mesmo extremamente inseguros.”

Um recém-chegado notável ao ranking deste ano é o Reino Unido, classificado na 12ª posição. “Nossa subcategoria de segurança e proteção examina três fatores: segurança pessoal, tranquilidade e estabilidade política. Embora o Reino Unido não tenha um bom desempenho em qualquer um desses quesitos, é especialmente o último que afeta fortemente seus resultados em 2019, o que faz com que ele caia de um 49º lugar de 68 destinos em 2018 para o 53º lugar de 64 em 2019 “, diz Zeeck.

Veja, na galeria de fotos a seguir, os 20 lugares mais perigosos para se morar em 2019, na opinião de expatriados, além de comentários de alguns participantes da pesquisa.

  • 1. Brasil (64º lugar no ranking geral de 64 países)

    Para um expatriado da Nova Zelândia existe um “sentimento nas pessoas de sempre viverem com medo”. Um imigrante alemão diz que o alto nível de desigualdade e brutalidade na sociedade é perturbador e o deixa desconfortável. “O caos político causou muita confusão e desconforto no meu local de trabalho”, completa.

  • 2. África do Sul (63ª no geral)

    Um expatriado britânico afirma: “Minha vida é mais fácil aqui, mas o sentimento é o mesmo de viver em uma bolha: sinto falta da liberdade de caminhar ou correr em qualquer lugar a qualquer momento e odeio ter de me preocupar com minha segurança”. Um belga reclama da “situação política incerta, do racismo, da corrupção e da alta taxa de criminalidade, além da fraca moeda local”.

  • 3. Nigéria (62º no geral)

    Um expatriado húngaro afirma: “Não somos realmente livres, não podemos andar nas ruas, não podemos nos misturar com os nigerianos. Sempre existe a sensação de perigo”. Um imigrante ruandês reclama sobre o sentimento de incerteza. “Quase tudo pode acontecer com qualquer um, a qualquer hora, em qualquer lugar.”

  • 4. Argentina (61º no geral)

    Um expatriado lituano diz sentir que “o país não é seguro e que as pessoas não são amigáveis”. Um imigrante norte-americano reclama: “Você não pode se planejar financeiramente porque a economia oscila com muita frequência. Além de a segurança ser uma grande preocupação”.

  • 5. Índia (60º no geral)

    Uma expatriada australiana não gosta “de como a suposição de que as mulheres estrangeiras são ‘fáceis’ torna inseguro fazer tantas coisas sozinhas”, bem como a “política rígida, as tensões sociais e a poluição”. Uma imigrante canadense relata como “constantemente se sente como alguém de fora”. “As pessoas me encaram, tiram fotos minhas, falam comigo de forma horrível, tentam me enganar etc. porque assumem que eu sou uma turista rica. Também enfrentei muito assédio sexual por parte de homens locais, a tal ponto que agora carrego spray de pimenta em todos os lugares aos quais vou.”

  • 6. Peru (59º no total)

    Um expatriado espanhol reclama que “não é fácil fazer amizade com os moradores locais, já que eles apresentam comportamento agressivo nas ruas”. Outro imigrante, venezuelano, não gosta “dos maus tratos às mulheres, das más condições de trabalho e da falta de gentileza em geral”.

  • 7. Quênia (58º no geral)

    Um expatriado dinamarquês diz: “Não posso andar na rua porque não é seguro. Preciso dirigir ou ser levado a todos os lugares”. Um imigrante croata não gosta de como “os estrangeiros são frequentemente passados para trás em roubos, golpes e detenções policiais apenas para extorquir dinheiro”. “As estradas são terríveis, o tráfego é simplesmente horrível, e a cidade, suja.”

  • 8. Ucrânia (57º no geral)

    Um expatriado búlgaro reclama da “corrupção, da total falta de lealdade ou honestidade e do tratamento aos estrangeiros, que são considerados ‘carteiras ambulantes’”. Um imigrante americano diz que “as leis não funcionam e há corrupção em todos os níveis”.

  • 9. Turquia (56º no geral)

    Um expatriado do Sri Lanka reclama como “ser uma pessoa de cor é desafiador”. “Você é assediado, especialmente, nos arredores da capital.” Um imigrante britânico não gosta da “política e propaganda constantes que estão dividindo a sociedade”. “As pessoas têm medo de falar ou dizer o que pensam.”

  • 10. Colômbia (55º no geral)

    Um expatriado canadense reclama sobre “a política e a insegurança em relação à possibilidade de mudança política”. “O tráfego também é ruim, e a taxa de criminalidade é algo difícil de se acostumar. As notícias aqui são quase todas negativas.” Um imigrante venezuelano diz não gostar da corrupção. “O sistema é injusto para nativos e expatriados, e as empresas locais não são tão abertas aos estrangeiros.”

  • 11. México (54º no geral)

    Um expatriado britânico considera que “a segurança pessoal é um grande problema, especificamente para líderes empresariais”. Um imigrante canadense se preocupa com “a crescente criminalidade dos cartéis, bem como a corrupção que rouba dinheiro das pessoas”.

  • 12. Reino Unido (53º no geral)

    Um expatriado búlgaro relata “preocupações com racismo, áreas superpovoadas, aumento da criminalidade, altos preços das acomodações e falta de apoio à reintegração e auxílio à residência”. Um imigrante holandês se sente preocupado com a incerteza em torno do Brexit e suas consequências para ele, sua estadia no Reino Unido e possíveis dificuldades para voltar ao país.

  • 13. Egito (52º no geral)

    Um expatriado britânico tem queixas sobre “o governo, infraestrutura precária, tráfego ruim, más condições das estradas e de edifícios, além de superlotação”. Um imigrante de Uganda não gosta de como “muitos egípcios discriminam e não são amigáveis”. “Parte dos homens não tem respeito pelas mulheres negras e é abusiva.”

  • 14. Filipinas (51º no geral)

    Um expatriado dos EUA reclama que existem “muitas leis de restrição aos estrangeiros e é quase impossível adquirir propriedades”. “Também há corrupção e alto nível de irresponsabilidade no trânsito.” Um imigrante francês diz que “a infraestrutura é precária, há engarrafamentos e falta de áreas verdes, além da qualidade de vida ser ruim”.

  • 15. Itália (50º no geral)

    Um expatriado mexicano reclama da “burocracia e mente fechada do povo”. Um imigrante polonês relata que “a situação política está mudando”. “Os estrangeiros agora têm mais dificuldades para conseguir efetuar cadastros, acessar serviços de saúde e comprar imóveis.”

  • 16. Estados Unidos (49º no geral)

    Um entrevistado alemão diz que “a política e o ‘novo normal’ que surgem são alarmantes”. “A mentalidade e a cultura parecem narcisistas. Tem sempre um ‘eu primeiro’ e isso aparece de muitas formas em diferentes níveis.” Um expatriado alemão diz não gostar da “visão conservadora generalizada, que coloca o ‘socialismo’ como um mal inerente, além da falta de controle de armas, de assistência médica e educação acessíveis e opiniões excessivamente religiosas”. Um imigrante brasileiro compartilha preocupações sobre “racismo, xenofobia e armas”.

  • 17. Indonésia (48º no geral)

    Um expatriado da Malásia expressa preocupação com “política e extremismo religioso”. Um imigrante chinês diz não gostar da “corrupção, da dificuldade em acessar cuidados com a saúde e transporte e das leis injustas”.

  • 18. Grécia (47º no geral)

    Um expatriado australiano relata que “a burocracia é enlouquecedora, assim como a indiferença geral das pessoas que prestam serviços governamentais”. Um imigrante russo reclama da “má situação econômica, educacional e da falta de oportunidades de carreira”.

  • 19. Kuwait (46º no geral)

    Um expatriado francês reclama de “pessoas hostis e discriminação em relação a algumas nacionalidades”. “O país também não é muito ecológico.” Um imigrante australiano diz não gostar do “tráfego e estradas perigosas” e também que sente que a “cultura parece ser de hostilidade”.

  • 20. Tailândia (45 no geral)

    Um expatriado paquistanês diz estar preocupado com “políticas governamentais desfavoráveis ​​para estrangeiros, dificuldade e falta de apoio do governo para fazer negócios, corrupção e uma grande barreira linguística”. Um imigrante russo diz não gostar da “infraestrutura pouco desenvolvida, da sujeira, do barulho, das ruas bagunçadas e da sensação de caos”. “Quase não há paz.”

1. Brasil (64º lugar no ranking geral de 64 países)

Para um expatriado da Nova Zelândia existe um “sentimento nas pessoas de sempre viverem com medo”. Um imigrante alemão diz que o alto nível de desigualdade e brutalidade na sociedade é perturbador e o deixa desconfortável. “O caos político causou muita confusão e desconforto no meu local de trabalho”, completa.

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