Cachaça do Barão, de Ivan Zurita, é relançada

Divulgação/Vinicius Valpereiro
São diversas versões da bebida, envelhecidas por, no mínimo, três anos em barris de carvalho, amendoim e jequitibá. Foto: Divulgação/Vinicius Valpereiro

Com base na aposta da mistura entre tradição e tecnologia, a Cachaça do Barão foi relançada ontem (21), na Fazenda Santa Cruz, em Araras, interior de São Paulo. Esta é a principal propriedade da AgroZ, empresa de Ivan Zurita, ex-presidente da Nestlé. Em recuperação judicial e com dívidas milionárias, o negócio tem passado por tempos difíceis. O relançamento comercial da cachaça, portanto, pode ter sido um primeiro passo na empreitada de modernização do grupo.

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Sob o comando de Leonardo Queiroz, genro de Zurita, a ideia da marca é ir além da simples venda de cachaças premium. “Temos a missão de desmistificar a bebida, acabando com rótulos como o de que mulher não bebe cachaça ou que é muito forte”, explica Queiroz, CEO do negócio, que trabalha com garrafas que vão de R$ 99 a R$ 180.

São diversas versões da bebida, envelhecidas por, no mínimo, três anos em barris de carvalho, amendoim e jequitibá. Além disso, a cana utilizada no preparo corresponde a uma parte especial dos 1.500 alqueires plantados pelo grupo. Atualmente, a versão mais premium é a Reserva Especial, envelhecida por cinco anos em barris de carvalho. Há planos de lançar uma safra envelhecida por períodos de 10 a 12 anos.

A projeção da empresa é vender 250 mil litros da bebida por ano. “Já temos estrutura para produzir essa quantidade”, explica o executivo. Hoje, são produzidos 20 mil litros anualmente.

A Cachaça do Barão investe na fórmula de agregar valor por meio de seu produto premium. As apostas serão no braço de exportação, em pontos de venda de qualidade, como empórios e bares, e em novos produtos, como o gim (o Draco, famoso gim brasileiro, passará a ser produzido lá) e o rum (Leonardo Queiroz irá a Cuba em breve para iniciar as pesquisas). “Com a estrutura que temos, podemos produzir qualquer destilado. Temos, ainda, ideia de trabalhar com bebidas feitas especialmente para mixologia, vendidas apenas a bares.”

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A cachaça, assim como a fazenda de 1880 em que é produzida, tem tradição. Começou a ser fabricada há 10 anos e, no período em que deixou de ser comercializada no varejo, continuou sendo vendida a “confrades”, que podiam comprar barris especiais. Entre eles estavam figuras ilustres como Hebe Camargo, Roberto Carlos e Ronaldo (Fenômeno).

O processo de produção conduzido por Queiroz está baseado na união da tradição com a alta tecnologia, especialidade do executivo. “A destilaria é simples, mas cheia de tecnologia. Os pontos críticos da produção são muito bem cercados no que diz respeito à higiene, para evitar qualquer contaminação”, explica Ivan Zurita, que atua como chairman do negócio.

A água utilizada na produção vem da própria fazenda, de 852 alqueires, que é também autossuficiente em energia. Até a rolha que fecha as garrafas, de cortiça e madeira, é produzida na propriedade da família.

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