As armas do Alibaba para ser o maior fornecedor de IA

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Uma das razões pelas quais o Alibaba e outras empresas chinesas de tecnologia, como Tencent e Baidu, coletivamente conhecidas como BAT, estão obtendo ganhos extraordinários em inteligência artificial é o apoio, investimento e comprometimento do governo chinês para se tornar o protagonista da tecnologia no mundo

Quando você descobre as formas como a empresa chinesa Alibaba, a maior plataforma de comércio eletrônico do mundo, com US$ 248 bilhões em transações – mais do que Amazon e eBay juntos -, investe em inteligência artificial e aprendizado de máquinas, percebe rapidamente que a lista das áreas que as tecnologias não impactam é muito menor do que a de setores e negócios impactados. Desde 1999, quando foi lançado no apartamento do fundador Jack Ma, o Alibaba se mantém no negócio de venda de mercadorias, mas sua influência e operações se expandiram para torná-lo uma das empresas de tecnologia mais valiosas do mundo.

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Uma das razões pelas quais o Alibaba e outras empresas chinesas de tecnologia, como Tencent e Baidu, coletivamente conhecidas como BAT, estão obtendo ganhos extraordinários em inteligência artificial é o apoio, investimento e comprometimento do governo chinês para se tornar o protagonista da tecnologia no mundo.

Com planos de construir uma indústria de IA de US$ 1 trilhão até 2030, a China está no caminho para superar os Estados Unidos como líder mundial da tecnologia. Juntamente com uma enorme população que gera dados críticos para informar os algoritmos da inteligência artificial e ajudar a torná-los melhores, bem como uma sociedade que está interessada em mudanças tecnológicas e não é tão exigente na regulamentação, a China é um terreno fértil para desenvolver aplicativos de IA e o Alibaba está fazendo o possível para crescer.

Na verdade, o Alibaba investiu em sete laboratórios de pesquisa que se concentrarão em inteligência artificial, aprendizado de máquina, segurança de rede, processamento de linguagem natural e muito mais.

O Dia dos Solteiros alavanca o uso da IA

O Dia dos Solteiros, um dia anti-Dia dos Namorados criado para celebrar a solteirice, agora se transformou graças ao Alibaba e seu fundador, Jack Ma, e, claro, de algumas ferramentas:

Tmall Smart Selection: Este algoritmo alimentado por IA, apoiado por um aprendizado profundo e processamento de linguagem natural, ajuda a recomendar produtos aos compradores e, então, comunica-se com os varejistas para aumentar o estoque de maneira a acompanhar a demanda;

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Dian Xiaomi: Este chatbot com inteligência artificial pode entender mais de 90% das consultas dos clientes, segundo o Alibaba, e atende a mais de 3,5 milhões de usuários por dia. A versão mais recente da ferramenta pode entender a emoção de um cliente e priorizar e alertar os agentes humanos de atendimento ao cliente para que interfiram;

Robôs para empacotar e drones para entregar: Mais de 200 robôs em armazéns automatizados podem processar 1 milhão de remessas por dia. Assim que os robôs recebem os pedidos no Dia dos Solteiros, eles embalam e enviam os produtos. Em alguns casos, sua eficiência permitiu que o envio fosse realizado no mesmo dia. O Alibaba também usou drones para algumas entregas.

Esses avanços tecnológicos que ajudaram a impulsionar o Dia dos Solteiros no ano passado resultaram em US$ 25 bilhões em vendas, ante US$ 17,8 bilhões na mesma da do ano anterior, número maior do que o PIB da Islândia e quase US$ 20 bilhões a mais do que a Cyber ​​Monday nos EUA.

Transformando lojas físicas em “lojas inteligentes”

Além de transformar algumas lojas físicas em “lojas inteligentes” para o Dia dos Solteiros, o Alibaba está introduzindo o que chama de “digitalização na caixa” sob sua marca Tmall, especialmente para varejistas menores. A empresa reformou cerca de 1 milhão de lojas familiares e 100 superlojas do McKinsey Global Institute. Cerca de 42% das transações globais de comércio eletrônico ocorreram na China, mais do que o Japão, a França, a Alemanha, o Reino Unido e os EUA juntos. Muitos acreditam que apenas os varejistas que adotarem a digitalização sobreviverão, e o Alibaba está fornecendo a estrutura para torná-la possível.

Investimento em P&D

Como o maior investidor em pesquisa e desenvolvimento da China, o Alibaba é também o maior investidor individual da SenseTime, uma startup de IA conhecida por sua tecnologia de reconhecimento facial, que lançou um laboratório em Hong Kong. O laboratório espera “avançar a fronteira da inteligência artificial”, apoiando outras startups ao comercializar sua tecnologia e desenvolver ideias e produtos. Pesquisadores e outros participantes do setor também podem colaborar com as startups no laboratório.

O Alibaba planeja gastar US$ 15 bilhões em três anos na DAMO Academy, ou Academia para Descoberta, Aventura, Momento e Perspectiva.

City Brain: controle de IA para cidades

Com o projeto City Brain, o Alibaba espera ajudar as cidades a executarem suas operações com inteligência artificial. Já capaz de melhorar os problemas de tráfego, o City Brain usa um sistema baseado em nuvem, onde os dados sobre uma cidade e todos nela são armazenados e processados ​por algoritmos de IA. O sucesso do projeto em reduzir os engarrafamentos em 15% foi alcançado pelo monitoramento de todos os veículos da cidade. Já bem sucedido em Hangzhou, o City Brain está indo agora para a Malásia.

Além desses exemplos, o Alibaba usa a IA para otimizar sua cadeia de suprimentos, criar produtos e orientar recomendações personalizadas. Em última análise, a chinesa aspira ser a gigante do fornecimento da inteligência artificial baseada em nuvem, o que tornaria a tecnologia disponível para qualquer pessoa com um computador e conexão à internet, bem como um chip de inteligência artificial disponível por meio da nuvem.

Com todos esses aplicativos, não é de surpreender que a Unidade de Nuvem do Alibaba tenha assinado recentemente um contrato com um grupo chinês de alimentos e comércio do Tequ Group para implantar o reconhecimento facial e de voz em suas fazendas de suínos. Do tráfego aos porcos, o que o Alibaba utilizará para a próxima aprendizagem de IA e de máquinas? Mal podemos esperar para descobrir.

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