Não culpe seu produto ou equipe – você é o problema

Na minha última viagem à Áustria, tive a oportunidade conversar com Lukas Zinnagl, um empreendedor em série com dois negócios de sucesso (um deles como fundador) e atualmente CEO da Diagnosia, um aplicativo que permite às empresas farmacêuticas comunicar-se diretamente com os médicos sobre medicamentos existentes e novos no mercado.

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Existem, atualmente, 50 mil medicamentos no mercado e o conhecimento médico duplica a cada quatro ou cinco anos. É impossível para esses profissionais acompanharem tudo, saberem as doses certas e estarem perfeitamente conscientes de todos os efeitos colaterais e contra-indicações. Erros de medicação em hospitais são um problema muito comum. Mais pessoas morrem devido a esses erros do que de acidentes de carro. Então, ter um aplicativo como o Diagnosia, que responde instantaneamente a perguntas difíceis sobre medicamentos específicos, ajuda a reduzir esse risco. O aplicativo é gratuito para os médicos, o que é fundamental para a rápida adoção em massa.

No belo escritório art nouveau da Diagnosia, na Mariahilfer Strasse, a principal área comercial de Viena, Zinnagl compartilhou as lições aprendidas, os erros que cometeu e como alguns deles não podem ser evitados apenas com a leitura de livros – têm que ser cometidos pessoalmente.

Veja, na galeria de fotos a seguir, 7 conselhos de Lukas Zinnagl para tentar diminuir os erros nos negócios e identificar sua própria influência sobre eles:

  • Contrate pela atitude – as habilidades vêm mais tarde

    “Há uma frase famosa que diz que a cultura ‘come’ a estratégia como café da manhã”, diz ele. Não tenho certeza sobre estratégia, mas digamos que a cultura consome muitas outras coisas na primeira refeição do dia. E você constrói uma grande cultura contratando por atitude e não por habilidades.

    “Um dia, estávamos precisando de um contador. Nós tivemos 200 candidatos, alguns dos quais eram muito qualificados, com os mais variados tipos de certificações. Mas um nos chamou a atenção. Era uma comissária de bordo que admitiu que não tinha nenhuma experiência em contabilidade, mas que queria entrar na área. Ela escreveu tudo o que eu queria ouvir: admitiu que não seria a melhor candidata do ponto de vista de habilidades, mas que realmente queria o emprego. Acabamos por contratá-la e estamos muito felizes, porque ela é super dedicada em aprender as habilidades necessárias. Em outros mercados de trabalho mais competitivos, como no Reino Unido, as pessoas tendem a permanecer em um emprego apenas por um ano ou mais. Mas se você investir em bons profissionais que tenham boas atitudes e ajudá-los no desenvolvimento das habilidades técnicas, você obterá lealdade em troca. Contratar pela atitude aumenta o comprometimento. Então, é um investimento maior, mas tem retorno”, lembra Zinnagl.

  • Procure os erros em si mesmo

    “Não é seu produto, sua equipe ou o cliente. Você, o fundador, é o problema. O produto é o resultado do seu trabalho como proprietário. Pelo menos durante os primeiros estágios de uma empresa.”

    Essa premissa faz parte de uma cultura mais ampla de responsabilidade da qual Zinnagl é adepto. Todo mundo dentro de uma startup em estágio inicial é o CEO do seu domínio, e o que quer que não funcione em seu departamento é sempre culpa do líder e, em última análise, do fundador.

  • Tome cuidado com avaliações muito altas

    “Se você obtiver uma avaliação alta, isso é bom para fins de relações públicas. Mas as expectativas aumentam proporcionalmente. Se você não sabe o que está fazendo como fundador a partir de uma perspectiva de modelo de negócios, uma avaliação alta pode destruir sua empresa. E eu acho que isso é algo que você tem que passar. Você tem que cometer esse erro sozinho. Eu havia lido “Founder’s Dilemmas” (Dilemas do Fundador, em tradução livre, sem versão em português), “Founders at Work” (Fundadores no Trabalho, em tradução livre, sem versão em português) e todos os livros que todo mundo me recomendava. Mas ainda tive que cometer esses erros”, lembra Zinnagl.

  • Não aumente a escala até que você tenha o produto certo

    “Se você não tiver 100% de certeza sobre o produto, não aumente a escala. Nós, por um longo tempo, não tivemos nosso modelo de negócios definido. Uma das epifanias que tive foi quando descobri quem é o verdadeiro pagador. Nós tentamos os médicos, hospitais e seguradoras, até que descobrimos que eram as empresas farmacêuticas que tinham o maior interesse no nosso produto e que, por isso, estavam dispostas a pagar.”

  • Aprenda a dizer não

    “Normalmente, aquelas pessoas que dizem ‘sim’ a todos os eventos de startups e a todas as entrevistas são as que não constroem empresas”, aposta Zinnagl. “Há uma empresa unicórnio austríaca chamada TTTech, por exemplo, da qual eu nunca tinha ouvido falar até três anos atrás. Eles nunca vão a eventos, não estão nas capas das revistas e construíram uma empresa de bilhões de dólares.”

  • Tenha em mente que o ego é o inimigo

    “Eu fiz parte de duas empresas de sucesso e tinha um grande ego. Assim como os cinco cofundadores da Diagnosia. (Aliás, ter cinco cofundadores também é um erro, especialmente quando vocês não têm habilidades complementares.) Isso nos levou a aceitar avidamente avaliações muito altas, a não fazer nenhum trabalho e a pular em palcos de eventos.”

  • Quer bons mentores? Basta perguntar

    “Quando eu era estudante de medicina, entrei em contato com a aceleradora i5Invest e disse a eles que não sabia de nada, mas que estava disposto a aprender e trabalhar duro, e que era um apaixonado pelo cenário de startups. Eles me aceitaram. De lá eu fui parar no site 123people, que acabou sendo vendido para as “Páginas Amarelas”. Isso apenas reforça o que eu disse antes: contrate por atitude, não por habilidades.”

Contrate pela atitude – as habilidades vêm mais tarde

“Há uma frase famosa que diz que a cultura ‘come’ a estratégia como café da manhã”, diz ele. Não tenho certeza sobre estratégia, mas digamos que a cultura consome muitas outras coisas na primeira refeição do dia. E você constrói uma grande cultura contratando por atitude e não por habilidades.

“Um dia, estávamos precisando de um contador. Nós tivemos 200 candidatos, alguns dos quais eram muito qualificados, com os mais variados tipos de certificações. Mas um nos chamou a atenção. Era uma comissária de bordo que admitiu que não tinha nenhuma experiência em contabilidade, mas que queria entrar na área. Ela escreveu tudo o que eu queria ouvir: admitiu que não seria a melhor candidata do ponto de vista de habilidades, mas que realmente queria o emprego. Acabamos por contratá-la e estamos muito felizes, porque ela é super dedicada em aprender as habilidades necessárias. Em outros mercados de trabalho mais competitivos, como no Reino Unido, as pessoas tendem a permanecer em um emprego apenas por um ano ou mais. Mas se você investir em bons profissionais que tenham boas atitudes e ajudá-los no desenvolvimento das habilidades técnicas, você obterá lealdade em troca. Contratar pela atitude aumenta o comprometimento. Então, é um investimento maior, mas tem retorno”, lembra Zinnagl.

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