Qual será o futuro dos veículos VTOL?

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Embora parte da visão para as operações de VTOL seja a de que elas participarão de uma futura infraestrutura aérea, não há razão para acreditar que possam ter um desempenho melhor do que os helicópteros

A United Airlines anunciou recentemente um novo serviço exclusivo de helicóptero em parceria com a HeliFlite que oferece aos passageiros VIP uma viagem mais rápida da movimentada Manhattan ao Aeroporto Internacional de Newark (localizado nos limites das cidades de Newark e Elizabeth). É um conceito interessante – embora não possa ser chamado de novo – que pode ajudar a medir a viabilidade de iniciativas de “táxi aéreo” de decolagem e aterrissagem vertical (VTOL) como parte da infraestrutura de transporte multimodal.

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Enquanto os recursos de decolagem vertical e as operações de baixa altitude dos helicópteros os tornam úteis em iniciativas que vão desde missões de resgate e batalhas a turismo e reportagem, as aeronaves não encontraram um papel fixo em uma infraestrutura de transporte mais ampla.

É simplesmente mais econômico e conveniente operar um serviço de táxi preto conectando pessoas de cidades a aeroportos e estações ferroviárias. Também é mais econômico conectar os serviços de trens e metrô diretamente aos aeroportos. Essas alternativas de transporte terrestre são todas operações de alta frequência, capazes de funcionar 24 horas por dia, com intervalos muito curtos entre as viagens.

Conexões de aeroportos por helicópteros para passageiros VIP são um conceito atraente, mas têm frequência limitada e, portanto, utilização também limitada de aeronaves. O investimento inicial necessário para uma operação com VTOL, como a que o Uber está propondo, por exemplo, está mais próximo dos serviços de helicóptero do que dos de táxis terrestres, serviços de limusine ou serviços de compartilhamento de veículos.

Embora parte da visão para as operações de VTOL seja a de que elas participarão de uma futura infraestrutura aérea, não há razão para acreditar que possam ter um desempenho melhor do que os helicópteros.

A Delta anunciou uma parceria com o serviço de helicóptero sob demanda BLADE no ano passado. Mas a iniciativa, semelhante a que a United Airlines está implementando agora, parece ter sido descontinuada. O BLADE ainda oferece conexões do aeroporto JFK, mas não são serviços ligados a Delta. Quando contatamos a companhia aérea para dizer que não encontramos os serviços da BLADE disponíveis em seu site, o funcionário se recusou a confirmar se a parceria ainda existe ou se o serviço foi cancelado.

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Conexões entre helicópteros e aeroportos disponibilizadas anteriormente duraram pouco tempo.

É difícil prever se as conexões da New York Airways com os aeroportos de Nova York a partir do Pan Am Building, um dos arranha-céus mais altos do mundo, teriam sido bem-sucedidas, pois as condições do mercado mudaram. A grande frequência, a alta capacidade de assentos e as tarifas acessíveis mantiveram o serviço funcionando por uma década, mas um trágico acidente em 1977 levou à sua descontinuidade.

Os serviços atuais de helicóptero sob demanda não conseguem igualar-se às tarifas de táxi da mesma maneira que a New York Airways fez no passado.

No caso da Airlink, por exemplo, o serviço que fazia a ligação entre os aeroportos de Heathrow e Gatwick, em Londres, no final dos anos 1970 e início dos 1980, não consegiu competir com uma melhor infra-estrutura rodoviária.

Como o analista do segmento Richard Aboulafia ressalta, o entusiasmo em torno do VTOL precisa lidar com um obstáculo maior do que de outros serviços aéreos de conexão, como jatos privados, turboélices e helicópteros: alta utilização que compense o investimento em equipamentos caros.

A logística de operações regulares para esse serviço, como o Uber Elevate, seria similar aos serviços de helicóptero dos dias atuais. Os clientes precisariam chegar a uma plataforma de lançamento fixa, igual a de um heliporto, e voar para outro ponto de aterrissagem antes de seguir para um destino futuro. É pouco mais do que usar uma pequena aeronave alternativa para realizar uma função de helicóptero.

Mesmo que o VTOL pudesse ser uma operação não-tripulada confiável, algo que não é garantido, os custos da aeronave precisariam ser compensados ​​por tarifas e frequências de voo capazes de possibilitar que a competição com opções de transporte terrestre. Se os operadores de helicópteros não conseguirem quebrar essa fórmula, os operadores desses tipos de veículos enfrentarão grandes desafios.

“A tecnologia UAM (Urban Air Mobility) está a décadas de distância de ficar pronta. Os custos serão bem maiores do que o planejado. A utilização, como resultado, será muito menor do que o previsto. Mas graças a ULSs (unsustainable life spirals), serão muitos bilhões perdidos”, alerta Aboulafia.

Qualquer pessoa interessada no VTOL como parte de uma infraestrutura de transporte multimodal conectada deve ficar de olho nesse novo serviço da United e HeliFlight. Eles podem ser o início de algo diferente nos próximos 12 meses.

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