De pedreiro a VP de multinacional: um brasileiro nos EUA

Divulgação
Ribeiro trabalhou como jornaleiro, encanador, pedreiro e até arrumou redes de computadores.

Quando, em 2003, Robledo Ribeiro decidiu se aventurar ao tentar a vida nos Estados Unidos, ele não tinha ideia de que, 15 anos mais tarde, seria o Vice-Presidente Sênior da HostGator Global. Na época, o executivo tinha 23 anos, era recém-casado e tinha visitado o país apenas uma vez. “Eu sempre quis sair do Brasil. Eu me casei e minha esposa também queria ir embora, então resolvemos fazer isso dois anos mais tarde”, lembra.

VEJA TAMBÉM: A história do estagiário que virou presidente da Oracle

Natural de Goiânia, foi lá que Ribeiro cursou Ciências da Computação, chegou a abrir uma empresa de segurança de informação e fez um MBA em Administração de Empresas. Sua esposa era então uma psicóloga com duas pós-graduações. O casal, no entanto, precisou recuar alguns passos e estudar inglês – única maneira, naquele momento, de permanecer legalmente nos EUA. Depois de três meses, mudaram os vistos de estudantes de inglês para estudantes universitários. “A gente não veio para cá para ganhar dinheiro. A gente queria ter uma experiência de vida”, explica ele.

Nesse meio tempo, além de estudar, o brasileiro teve de deixar sua experiência de trabalho de lado e colocar a mão na massa em diversos empregos informais. Trabalhou como jornaleiro, encanador, pedreiro e até arrumou redes de computadores. “Uma vez eu estava em um escritório de advocacia e ouvi alguém reclamar da rede interna da empresa. Eu disse: ‘Pode deixar que eu arrumo para vocês’. Enquanto estava embaixo da mesa arrumando a rede, ouvi alguém dizendo que precisava de uma pessoa para limpar um apartamento que havia acabado de ser reformado. Levantei a cabeça debaixo da mesa e disse: ‘Pode deixar que eu faço.’ Aqui é assim. Você tem de pagar o preço de entrada”, explica.

Ao mesmo tempo em que era um “faz tudo”, Ribeiro procurava oportunidades pela internet. “Encontrei uma vaga que dizia: ‘Preciso de alguém que saiba alguma coisa sobre internet. O básico serve.’ E eu entendia do assunto.” Foi assim que o empreendedor começou a prestar serviços para a HostGator, em um primeiro momento via internet, pois não tinha um visto de trabalho.

O brasileiro foi o 10º funcionário da empresa provedora de hospedagem de sites fundada por Brent Oxley, que na época tinha apenas 17 anos. Sua experiência em computação e seu MBA, além de sua maturidade – Ribeiro, com apenas 29 anos, era de longe o funcionário mais velho -, foram extremamente úteis para o crescimento da empresa, que em 2012 foi vendida para o Endurance International Group.

O relacionamento de confiança estabelecido entre Ribeiro e a empresa fez com que a HostGator entrasse com um pedido de visto de trabalho para o brasileiro. Enquanto esperava, deixou de lado a universidade que frequentava e passou um ano viajando pela Europa – sempre trabalhando de maneira remota. Quando, em 2006, o visto ficou pronto e o casal voltou aos Estados Unidos, a sede da empresa era em Houston. “Quando eu cheguei lá, não gostei. Então comecei a pensar em alternativas”, relata.

LEIA: Como uma estudante de 22 anos criou uma luxuosa marca de lingerie

“Eu havia percebido que as coisas só chegavam ao Brasil alguns anos depois de disponíveis nos EUA. Comecei a olhar o mercado de hospedagem e desenvolvimento de sites no país e percebi que os potenciais concorrentes tinham preços muito altos e qualidade de serviço muito baixa”, conta. “Provei que aquele era o timing perfeito para iniciar as operações em território brasileiro. Fiz as contas e decidimos avançar.” Assim, foi criada a HostGator Brasil, operação da qual Ribeiro possuía 50%.

No Brasil, os diferenciais da empresa foram o preço, abaixo da concorrência, e a qualidade do suporte. Sem funcionários, o brasileiro e sua esposa estavam disponíveis 24 horas por bate papo e telefone. “Isso fez muita diferença. Era difícil falar com as outras empresas, mas era muito fácil falar conosco”, lembra. O crescimento, porém, foi surpreendente: “No primeiro ano eu consegui cerca de 30 clientes, no segundo 300 e, no terceiro, mais de 3 mil”.

Hoje, o escritório criado pelo executivo em Florianópolis é a sede da empresa na América Latina e os negócios seguem em expansão. Ribeiro, porém, toca os negócios dos Estados Unidos, onde se divide entre Boston, sede da Endurance, e Flórida. “Quando eu vendi a operação brasileira da HostGator, seis meses depois da venda total para a Endurance em 2012, defini que queria me mudar de volta para os Estados Unidos, então a companhia me ajudou com o Green Card”, conta. Inicialmente, o empreendedor tinha como função na Endurance administrar sua antiga empresa. Mais tarde assumiu toda a operação global.

“O jeito como trabalhamos no Brasil é muito diferente. E esse jeito, de realmente buscar construir um negócio sustentável, fez muita diferença para o meu percurso na empresa. Hoje a HostGator América Latina é a que mais cresce no grupo, além de ser referência em tecnologia e marketing”, conta. Além de seu cargo na HostGator, o brasileiro também é investidor e mentor de startups.

Hoje já estabelecido, o executivo conta que sua experiência em empregos informais e no suporte da HostGator Brasil tiveram um papel fundamental em sua trajetória: ela o ensinou a entender as pessoas. “Eu aprendi a ouvi-las, entender a dor que sentiam e tentar ajudar. Isso foi fundamental para o desenvolvimento da empresa e, atualmente, ajuda a Endurance e todas as startups das quais participo”, conclui.

Copyright Forbes Brasil. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, total ou parcial, do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, impresso ou digital, sem prévia autorização, por escrito, da Forbes Brasil (copyright@forbes.com.br).