Executivos do Tinder acusam empresa de roubo, engano e assédio

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Um dos queixosos é Sean Rad, cofundador e primeiro CEO do Tinder

Um grupo de atuais e ex-executivos da Tinder, que inclui o cofundador do app, decidiu processar as empresas-mãe do aplicativo de relacionamento por supostamente intimidá-los e enganá-los, de forma a fazê-los perderem bilhões de dólares em ações, entre outras queixas.

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A ação foi aberta hoje (14) na Suprema Corte de Nova York contra a holding InterActiveCorp (IAC) e sua subsidiária Match Group, proprietária de quase todos os principais aplicativos e plataformas de relacionamento dos EUA, e pede bilhões de dólares por danos.

Segundo o processo, a IAC e o Match Group enganaram funcionários atuais e antigos da Tinder em grande escala, ao manipularem informações financeiras em torno do aplicativo, o que teria tirado ilegalmente as opções de compra de ações dos funcionários e minado a avaliação de mercado do Tinder nos últimos anos.

Os advogados do grupo de executivos, que inclui três ainda ligados ao Tinder, acusam a liderança da IAC e do Match Group de “falsificação de informações financeiras, ocultação de projeções verídicas de crescimento rápido contínuo e adiamento do lançamento de novos produtos transformadores, como o Tinder Gold”.

O grupo também alega que foi ameaçado de demissão se falasse sobre a verdadeira avaliação de mercado do Tinder e que executivos da empresa ajudaram a encobrir o assédio sexual de 2016 do ex-vice-presidente de marketing e comunicações da empresa Greg Blatt, também ex-presidente do Match Group.

No último verão, a empresa anunciou que Blatt seria substituído como CEO do Match Group por Mandy Ginsberg, ex-CEO do Match Group Americas, a partir de 1º de janeiro de 2018.

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Segundo os executivos, o Tinder reconheceu recentemente que está no caminho certo para ganhar US$ 800 milhões em receita em 2018, ou 75% a mais que o projetado pela IAC e pelo Match Group no ano passado.

Em comunicado, os executivos afirmam: “A IAC/Match fabricou uma falsa avaliação do Tinder de US$ 3 bilhões, a mesma avaliação atribuída dois anos antes, apesar de suas receitas terem crescido 600% e de a base de usuários ter crescido 50%. Então, apenas algumas horas depois, a IAC/Match secretamente diluiu a empresa Tinder e a transformou em parte do Match Group, uma holding estagnada. Essa fusão foi um pretexto para extinguir as opções de compra de ações dos funcionários do Tinder ”.

O grupo que responsável pelo processo é o seguinte: Jonathan Badeen, cofundador e diretor de estratégia desde março de 2012; Paul Cafardo, diretor de engenharia de abril de 2013 a junho de 2017; Gareth Johnson, designer-chefe de fevereiro de 2014 a junho de 2017; James Kim, vice-presidente de finanças desde fevereiro de 2016; Alexa Mateen, chefe de expansão dos EUA de maio de 2012 a maio de 2015; Justin Mateen, cofundador e diretor de marketing de fevereiro de 2012 a setembro de 2014 e consultor estratégico de setembro de 2014 a 2017; Joshua Metz, diretor de marketing desde junho de 2013; Ryan Ogle, diretor de tecnologia de agosto de 2012 a junho de 2017; Rosette Pambakian, vice-presidente de marketing e comunicações desde março de 2014; Sean Rad, cofundador, CEO, presidente e presidente do conselho de fevereiro de 2012 a setembro de 2017.

Sean Rad, cofundador e primeiro CEO do Tinder, comentou em um comunicado: “Sempre nos preocupamos com a reputação da IAC de ignorar seus compromissos contratuais e agir como se as regras não se aplicassem a eles. Mas nunca imaginamos o quão longe iriam para enganar todas as pessoas que construíram o Tinder. A equipe Tinder, especialmente os queixosos que atualmente são líderes seniores da empresa, demonstraram uma força tremenda ao expor a violação sistemática dos direitos dos funcionários do IAC/Match”.

A InterActiveCorp e o Match Group foram procurados para comentários, mas não responderam aos pedidos de entrevista até o momento.

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