Por dentro das novas tendências do blockchain

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É hora de discutir as inovações em modelos financeiros e legais

Quase todas as semanas parece haver uma conferência em uma cidade ou outra em torno do blockchain, das criptomoedas ou de uma combinação das duas coisas. E existem algumas marcas intrigantes que estão gerando barulho com suas novidades, como a CryptoBlockCon. Na verdade, vários insights importantes e tendências para ficar de olho surgiram como resultado da conferência mais recente da empresa.

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Ao finalizar a conferência de Los Angeles – realizada antes das versões de Londres e Las Vegas, que serão no quarto trimestre – a equipe da CryptoBlockCon alavancou seus 20 anos de experiência com a produção de programas orientados à liderança de pensamentos para criar uma plataforma a partir da qual os líderes executivos presentes poderiam compartilhar desafios, colaborar e criar soluções. “Para aqueles que ainda não descobriram o blockchain“, explica Wyatt Hoover, diretor executivo da CryptoBlockCon, “oferecemos oportunidades educacionais para ajudar entusiastas iniciantes, empreendedores e investidores a começar e, é claro, entender todas as oportunidades e riscos associados a essas atividades”.

E, de fato, executivos, como o diretor-gerente da Comcast Ventures e fundador e sócio-gerente da Genacast Ventures, Gil Beyda, falaram no evento sobre o tema com base em sua experiência e análise dessa arena crescente. “Do ponto de vista do investimento, o blockchain e o espaço criptográfico são os cenários mais interessantes para estarmos agora”, disse Beyda. “Digamos que estamos vivendo uma fase de pré-jogo. Por isso, estamos investindo cedo, de maneira a ajudar a entender o contexto.”

Beyda observa que uma subcategoria particularmente interessante é a identidade. “Com amplas violações de dados e regulamentações complexas, as empresas estão tendo dificuldades para acompanhar. Um exemplo de empresa inovadora neste espaço é a BigID, que ajuda outras empresas a encontrar, analisar e eliminar riscos de dados de identidade para proteção de informações pessoalmente identificáveis, privacidade e governança”, diz ele.

O executivo também acredita que uma segunda área a ser observada é a da aplicação da tecnologia blockchain na empresa, e não no espaço do consumidor. “As companhias estão experimentando e interagindo rapidamente com modelos de negócios orientados por consenso que permitem realizar transações sem a necessidade de confiança. Essa tecnologia tem o potencial de mudar o cenário da cadeia de suprimentos e das transações financeiras nos próximos dois a três anos”, diz.

Steve Masur, advogado e sócio da Masur Griffitts + LLP, falou sobre a necessidade de vigiar os impedimentos legais que possam estar no caminho dessa nova era e como conciliar esses interesses, particularmente no que diz respeito às startups.

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“O surpreendente é que, pela primeira vez, os empreendedores da história recente estão correndo em direção à regulamentação – e não fugindo dela. Há um movimento substancial das empresas norte-americanas por jurisdições que têm regimes mais claros de regulação de criptografia, como Malta e Singapura. Eles temem a falta de clareza legal dos Estados Unidos. Embora tenha havido muita discussão sobre a SEC (Securities and Exchange Commission) e o que está sendo feito, ninguém está falando sobre a Comissão de Negociação de Contratos Futuros de Commodities (da sigla em inglês CFTC), sobre a Rede de Combate a Crimes Financeiros ou os sobre os estados, que têm o mesmo direito de reivindicar o espaço”, explica Masur.

E acrescenta: “O que é realmente incrível para mim e vale a pena assistir é toda a inovação em torno de novos modelos financeiros e legais. Eu nunca vi tanto interesse entre a comunidade empresarial de novas leis e novas estruturas como eu vejo agora. Novos empresários estão tendo um interesse acadêmico real em sistemas jurídicas e maneiras inovadoras de fazer as coisas”.

Assim, Masur sugere observar de perto o espaço regulatório ao cruzar com a inovação global. Ele observou que Malta aprovou recentemente três estatutos: um referente à autoridade reguladora para ofertas de criptografia e um relacionado a um conjunto de regras para ofertas de criptografia. No entanto, o terceiro é particularmente intrigante, segundo o especialista. Ele cria um novo tipo de entidade empresarial descentralizada, sem precedentes, semelhante à época em que os EUA inventaram a LLC. “Eu acho que isso é muito inovador. E eles não são os únicos. Malta está apenas na ponta de uma diáspora inteira de países, territórios e municípios tentando vencer a corrida para atrair a melhor comunidade de empresas de blockchain. É um jogo super emocionante para assistir e participar”, diz Masur.

Para Eli Jawad Ansari, líder da área de Blockchain Investment Banking na Boustead Securities, a convocação de participantes dos setores acadêmico e privado fez essa conferência ser um pouco mais robusta do que o normal.

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“A discussão em torno dos tokens de segurança foi grande. Tanto o tamanho projetado de US$ 10 trilhões do mercado de tokens de segurança, quanto os problemas inerentes associados a esses dispositivos, devido às ações de execução subjacentes e ao fato de não permitirem nenhum tipo de propriedade ou participação nos lucros”, disse Ansari.

Ele falou sobre a oferta inicial de moedas (ICO) e seu futuro durante a conferência. “Mesmo como um agente atuante no setor de investimentos bancários de títulos mobiliários e no lançamento do BRX Exchange, a nova Securities Token Exchange, fiquei surpreso com o quão difundido foi o consenso nesta conferência sobre a mudança do mercado para os tokens de segurança como forma predominante de emissão simbólica, e o futuro da formação de capital no espaço blockchain”.

Ele conclui: “Mas, mesmo assim, o maior desafio certamente será obter todas as licenças regulatórias necessárias e aplicativos de tecnologia para funcionar em todos os setores da empresa em um mercado de token de segurança regulado, à medida que todos desenvolvermos ainda mais esse setor”.

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