Conheça a CEO que localizou US$ 7 bi em bolsas universitárias

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Essa é a ajuda financeira que Charlie Javice estima que os estudantes usuários do Frank tenham localizado.

Não são muitos os fundadores de empresas que podem fazer referência a “US$ 7 bilhões”. Mas Charlie Javice, de 26 anos, fundadora do Frank, pode. E, provavelmente, poderá mais uma vez em breve.

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Essa é a ajuda financeira que Charlie estima que os estudantes usuários do Frank tenham localizado. “Ajudamos cerca de 300 mil alunos a encontrar entre US$ 25 mil e US$ 30 mil cada um em ajuda para fins estudantis – cerca de US$ 7 bilhões em quatro anos de faculdade”, disse ela.

Esse dinheiro não é emprestado – são doações federais, ocasionalmente estaduais e institucionais, além de outros tipos de bolsas. E isso não é uma distinção trivial para Charlie ou o estado do ensino superior, que está lutando para lidar com a crescente dívida estudantil que recentemente ultrapassou US$ 1 trilhão. “Queremos ajudar os alunos a enxergarem os recursos aos quais têm direito e onde eles estão antes de se endividarem”, diz a empreendedora. “Nós encaramos essa iniciativa como uma ação de prevenção à saúde, pois se fizermos tudo da maneira correta, reduziremos os custos para todos.”

O Frank faz isso, segundo Charlie, por meio de uma interface amigável, projetada pelo aluno, que o ajuda a acessar e a concluir o FAFSA – o aplicativo gratuito para auxílio federal aos estudantes norte-americanos. O FAFSA é o ponto de referência para determinar e distribuir quase toda a ajuda financeira da faculdade e, surpreendentemente, poucos alunos o utilizam para entender seus direitos. “Algo como 90% de todos os estudantes universitários são elegíveis”, disse ela. “Mas quase metade de todos eles, cerca de 47%, nem sequer completam a candidatura do governo porque é muito complicada. Com o Frank, isso se torna um processo simples e gratuito, que leva apenas quatro minutos.”

Muitos estudantes provavelmente acreditam que o processo é mais complicado do que isso. E, de acordo com especialistas, é assim que ele realmente parece ser. “Os alunos e as famílias têm uma infinidade de maneiras e materiais para fazer os pedidos de auxílio financeiro e universitário”, explica o Dr. Aviva Hirschfeld Legatt, colaborador da FORBES e proprietário da VivED Consulting LLC, que ajuda os estudantes a serem aceitos na faculdade. “Qualquer ferramenta que facilite o processo de solicitação de ajuda financeira para as famílias é fundamental, especialmente para aquelas que não contam com o apoio individualizado de sua escola ou de um conselheiro independente.”

A perspectiva de apoio já é motivo suficiente para encontrar e completar o FAFSA. Mas serviços como o Frank também podem ajudar as famílias a descobrirem quanto a faculdade realmente vai custar depois da concessão dos recursos. Essa informação é crucial para o planejamento educacional e ajuda os alunos a escolher escolas e programas que realmente podem pagar.

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“É um problema real quando as escolhas acadêmicas são determinadas pelo quanto os alunos acham que essas escolas custam”, diz Charlie. “Avaliações erradas levam ao abandono, empréstimos excessivos e experiências escolares e acadêmicas insatisfatórias.” Ela acredita que sua empresa pode aliviar algumas dessas pressões, uma vez que ajuda os alunos a entenderem suas opções de auxílio e a examinar os custos e benefícios reais de cada alternativa ainda durante o processo de decisão.

Charlie parece uma analista de dados ansiosa quando fala sobre o problema de adequação de necessidades e de como ela aciona outras questões de equidade, acesso e financiamento em educação superior. E ela está certa. Quando os empréstimos estudantis são concedidos, a conclusão do curso é o fator mais correlacionado ao seu pagamento. E as pressões financeiras são a principal razão pela qual os estudantes abandonam a faculdade. Assim, obter boas informações antecipadamente, encontrar o recurso certo e maximizar a ajuda é essencial para a conclusão do ciclo.

O serviço é, de fato, algo que os estudantes precisam. Mas, para Charlie, a questão também é pessoal. “Eu não falo muito sobre isso, mas meus avós foram sobreviventes do holocausto e me ensinaram que a educação é a única coisa que você sempre pode levar com você – é o maior presente e nunca deve ser esquecido”, conta.

Isso pode explicar por que Charlie fala sobre sua empresa em termos de princípio, não de capital. “Se eu pudesse dar um presente a alguém, seria ensino superior”, diz. “Na verdade, o sonho americano exige isso neste momento.” É por isso que ela está orgulhosa do que tem feito. “68% dos alunos que estamos ajudando são mulheres”, revela. “E quase metade dos alunos que ajudamos são a primeira geração de estudantes universitários de suas famílias.” Para eles – e para todos os estudantes universitários – há muita coisa em jogo.

E, claro, também há capital em jogo. De acordo com a Crunchbase, o Frank arrecadou US$ 15,5 milhões em duas rodadas de financiamento de risco. A empresa lançou uma opção de adesão – com US$ 19,90 por mês o candidato pode acessar adiantamentos livres de juros, aconselhamento financeiro individual, acesso a informações sobre bolsas de estudo e vantagens relacionadas a lifestyle, como descontos em ingressos de cinema ou em serviços de streaming.

Mas Charlie prefere falar sobre esses US$ 7 bilhões e o que isso significa – como é importante que os alunos saibam que, quando se trata de encontrar maneiras de pagar pela faculdade, eles não estão sozinhos, e que um empréstimo não é a única opção. “Quero que pensemos em como podemos apoiar os alunos. Quero que eles encontrem maneiras criativas de poupar dinheiro, de fazer suas escolhas, de ter investimentos universitários e de conquistar vidas mais gratificantes.”

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