Ergostech aposta no futuro movido a hidrogênio

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Yumi Watari (à frente) e equipe da Ergostech

O hidrogênio como combustível é uma das grandes promessas para o futuro quando se fala em energias renováveis. Assim como os veículos elétricos, o carro movido a hidrogênio é uma das apostas de montadoras como as japonesas Toyota e Honda: a estimativa é que até 2020 serão 40 mil carros movidos a hidrogênio em circulação no Japão – tendência a ser seguida também por Europa e Estados Unidos.

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Mirando a demanda futura por hidrogênio de origem renovável, em 2004 o nipo-brasileiro Tohoru Watari fundou a Ergostech, em parceria com a cervejaria japonesa Sapporo. Empreendedor serial, Watari já havia fundado empresas na área de saúde, como o grupo Nefrocare (uma rede de clínicas de hemodiálise) e a Helixxa (um laboratório de biologia molecular). No início, o plano era viabilizar a produção de bioenergia a partir dos resíduos da produção de cerveja, mas o escopo foi ampliado. Com um aporte da Petrobras em 2010, a Ergostech passou a desenvolver soluções em biotecnologia para produzir hidrogênio, metano (biogás) e outros produtos a partir de diferentes resíduos agroindustriais.

À frente da Ergostech está Yumi Watari, sócia-diretora e filha do fundador, que tomou o desafio de expandir a empresa em um cenário nebuloso: as perspectivas internacionais para o hidrogênio são promissoras, mas no Brasil a fonte está longe de receber a mesma atenção. O caminho será desbravar mercados: a primeira planta industrial da Ergostech deverá entrar em operação em 2021 em Fresno, na Califórnia, e produzirá hidrogênio com resíduos agrícolas e de indústrias alimentícias locais.

No Brasil, a empresa colocou o foco no desenvolvimento de soluções de biotecnologia para resíduos como a vinhaça, resultante da produção de açúcar e etanol. A produção de biogás (que pode ser utilizado como combustível ou para gerar energia) e de produtos de maior valor agregado, como o propanodiol, base para a produção de plásticos de origem renovável, também faz parte do leque da startup no país. “O Brasil ainda não está preparado para o hidrogênio, mas carece de soluções tecnológicas para os diferentes resíduos agroindustriais”, diz Yumi.

Com laboratório em Campinas (SP) e um time de oito pesquisadores, todos com mestrado, doutorado e pós-doutorado, a startup projeta, em dez anos, ser um dos principais produtores de hidrogênio de fontes renováveis do mundo.

Reportagem publicada na edição 59, lançada em maio de 2018

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