4 dicas para começar uma startup

Foto reprodução FORBES
Adeo Ressi é responsável pela criação da The Founder Institute, incubadora de negócios que lança anualmente entre 1.000 e 2.000 empresas.

Adeo Ressi é a força motriz por trás do The Founder Institute. Durante a entrevista para o podcast Dealmakers, o executivo revelou a verdade sobre o lançamento e a venda de uma startup no Vale do Silício, e por que os empresários nunca devem planejar suas saídas.

VEJA TAMBÉM: 6 coisas mais valiosas do que dinheiro para startups

“As pequenas histórias sujas do Vale são todas verdadeiras. Se você ouve algo e acha que não pode ser real, provavelmente é. O falatório relacionado às orgias não são verdadeiros, mas tudo que está relacionado a negócios são, de fato, reais”, diz Ressi.

Em um dos episódios mais recentes, sobre arrecadação de fundos e a vida das startups, Ressi revela alguns dos lados mais loucos de criar um empreendimento, bem como conselhos poderosos para estruturar seu próximo negócio e sobreviver a uma possível aquisição.

Adeo Ressi lançou o The Founder Institute em 2009, em Palo Alto, na Califórnia. A incubadora de negócios lança, anualmente, entre 1.000 e 2.000 empresas por ano. Ela submete pessoas que pensam em começar um empreendimento do zero a um programa intensivo – a grade propõe 30 horas semanais e consolida o que seriam de 12 a 18 meses de procrastinação e desperdício de tempo em até quatro meses e meio de treinamento.

Graduados saem do programa com uma empresa incorporada, o início de um produto, equipe, tração e, normalmente, vendas estabelecidas. Isso é conseguido por meio de mentoria, atribuições estruturadas para construir um negócio e apoios importantes. A iniciativa está agora em mais de 180 cidades em todo o mundo. O objetivo é capacitar as comunidades de pessoas talentosas e motivadas para iniciar startups de impacto e durabilidade.

E AINDA: 25 melhores startups para trabalhar em 2018

Antes do Founder Institute, Ressi experimentou pessoalmente cada parte da construção, financiamento, saída e investimento em startups. Até hoje, isso se traduz em mais de 25 grandes transações de fusões e aquisições. O empreendedor construiu e saiu de mais de nove empresas. Duas delas foram vendidas por, aproximadamente, US$ 1 bilhão – isso antes de completar 30 anos de idade.

Entre seus negócios está uma boate com Elon Musk, a venda da Total New York para a Tribune Company (agora AOL) e a Method Five, uma empresa de desenvolvimento web. Depois de algumas saídas extremamente lucrativas, ele se envolveu com a SpaceX e com o XPrize.

Por que os empreendedores nunca devem vender

“Quando eu era mais jovem, pensei que construir e vender era uma boa ideia”, conta Ressi. No entanto, ele adverte que 100% de todas as empresas que são vendidas morrem. “Então, se você quer construir algo que seja seu legado, hoje em dia eu não penso na liquidação como uma opção.”

Mas é claro que, muitas vezes, os empresários acabam vendendo seus negócios. Eles podem, em algumas circunstâncias, ficar sem muita escolha – contarem com uma diretoria ruim, estarem em um mercado maluco ou, simplesmente, receber tanto dinheiro que seria loucura ou negligência não aceitar uma compra.

LEIA AQUI: 25 startups de machine learning para ficar de olho em 2018

Foi o caso da Method Five. Ressi diz que, na época, “praticamente todas as grandes empresas de mídia do mundo estavam confiando em nós para ajudá-las na transformação digital para a world wide web (www)”. O crescimento era de 30% a 100% ao mês e muitas ofertas foram descartadas, até que chegou uma proposta tão ridiculamente alta que não poderia ser recusada por muito tempo. Ela representava cerca de 15 ou 20 vezes a receita em dinheiro.

Ressi, o fundador da empresa, ainda detinha de 75% a 80% das ações no momento da venda. O retorno resultou em algo próximo de 1.000 vezes o aporte inicial dos investidores-anjo, tanto que muitos deles se aposentaram. Por fim, a empresa se tornou de capital aberto. Depois dessa saída, Ressi viu a companhia desmoronar a um ritmo de US$ 1 milhão a US$ 2 milhões por dia.

Juntamente com Gabe Zichermann, ele construiu a Game Trust e foi pioneiro no termo “gamificação” na indústria. Com cerca de seis meses de due diligence para levantar US$ 10 milhões em uma rodada da Série B, o investidor desistiu por conta de um terceiro que estava ansioso para comprar a empresa. Foi uma oferta generosa de cerca de US$ 200 milhões. Mas isso não aconteceu de forma amigável. A venda acabou sendo tão conturbada que a cap table (tabela onde são discriminados os acionistas de uma startup e sua participação no negócio) não significou nada e tudo precisou ser renegociado do início.

Em determinada ocasião, um investidor forçou Elon Musk a sair da mesa e tentou colocar seu filho na jogada. Ressi respondeu que “seria muito melhor colocar uma preguiça real de três dedos, porque pelo menos seria divertido”.

SAIBA MAIS: 3 dicas para começar uma startup do zero

Infelizmente, a realidade é que muitos investidores mentem, enganam e roubam sem qualquer moral. Essa é uma das razões pelas quais o Founder Institute estabeleceu as práticas conhecidas como Founder Control. Elas fornecem, aos fundadores de startups, muita proteção, influência em seus empreendimentos e a capacidade de manter ações com direito a voto.

Veja, na galeria de imagens a seguir, dicas rápidas de Adeo Ressi para se arriscar em um novo empreendimento nos dias atuais:

  • 1. O principal trabalho do fundador é estabelecer o maior número possível de controles defensivos para garantir que sua visão seja alcançada.

  • 2. A jornada empreendedora é mais difícil do que você pensa. Se você está em um momento difícil, saiba que ele vai melhorar.

  • 3. Se você está com problemas, não ameace sair. Ou saia ou não faça alarde.

  • 4. Apenas 2% das pessoas têm as características principais para ter sucesso ao iniciar uma empresa.

1. O principal trabalho do fundador é estabelecer o maior número possível de controles defensivos para garantir que sua visão seja alcançada.

Copyright Forbes Brasil. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, total ou parcial, do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, impresso ou digital, sem prévia autorização, por escrito, da Forbes Brasil (copyright@forbes.com.br).