Por que esta pode ser uma péssima semana para o Google

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Mesmo com falta de clareza diante do ocorrido, Google assume postura de defesa agressiva.

O Google está prestes a ter seu próprio caso Cambridge Analytica, empresa que vive momentos difíceis, com direito a pedido de falência, desde que se descobriu que influenciou o resultado das eleições americanas vencidas por Donald Trump. Surgiram pistas de que a companhia sabia do bug existente no Google+ — plataforma criada para concorrer com o Facebook — capaz de dar acesso externo a dados privados de perfis presentes no site entre 2015 a 2018. O empresa silencia sobre o assunto.

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Veiculada pelo Wall Street Journal, a história passou a dominar as conversas no Twitter. Com o escândalo, a Alphabet, a empresa por trás da marca Google, decidiu fechar o braço para consumidores da rede social, que divulgou, numa tentativa de defesa, que 90% das vezes que um usuário acessou o Google+ ele passou menos de cinco segundos por lá.

Embora não esteja claro o que aconteceu — quais dados foram enviados nem para quem e quais os objetivos desse vazamento –, o Google assumiu uma postura agressiva de defesa. O blog da gigante da internet fez um único post a respeito, que atravessa o tempo todo o tema e apenas contorna o que está em risco. “Esses dados são limitados a campos estáticos e opcionais do perfil do Google+ — incluem nome, endereço de e-mail, ocupação, sexo e idade, mas nenhum outro dado que você tenha postado ou fornecido à rede ou a qualquer outro serviço, como posts, mensagens, dados da conta do Google, números de telefone ou material do G Suite.”

O post não toca no problema principal, provavelmente por questões jurídicas, e por isso é raso. Em vez de admitir erro e culpa, de forma transparente, o blog do Google trata a questão de modo positivo: como uma experiência de aprendizado, destacando motivos para ver o problema como algo bom. Em parte, compreende-se a postura da empresa: o cheiro de regulamentação está no ar e a companhia entende que essa brecha não causará nada mais que tumulto na mídia e na política.

Uma posição muito diferente da tomada pelo departamento de relações públicas do Facebook, também acusado de influenciar a vitória de Trump, nos últimos meses. Ambas as empresas são opacas por questões legais que terão de encarar mais adiante, mas a resposta do Google parece — à primeira vista, pelo menos — ser mais pensada e definitiva. Uma linha, em um único lugar e uma única vez.

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É um excelente exemplo de como lidar com uma grave crise como esta. E o Google tem pressa de abafá-la: fará um grande evento amanhã para o lançamento de produtos, e, como todo o setor de tecnologia, está contaminado pela sombra do ano difícil que o Facebook tem encarado.

Ainda não há nenhuma mensagem na conta do Google+ no Twitter ou na conta da mãe Google na rede de microblogs. Mas a companhia com certeza está vigilante, em observação pelas próximas 72 horas, com o cuidado de ver a extensão e, se for o caso, repensar a estratégia para o problema. A plataforma está ciente de que é alvo de repórteres e de hackers. Em alguns aspectos, neste momento da história, os primeiros poderiam ser muito mais prejudiciais.

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