As oportunidades e desafios de empreender na Rússia

iStock
St. Basil’s Cathedral, Moscou, Rússia

A Rússia não é o lugar perfeito para os negócios, mas é muito melhor do que a impressão que eu tinha antes de visitar Moscou e conhecer muitos profissionais e acadêmicos.

SAIBA MAIS: Alibaba forma joint venture para expandir na Rússia

A liderança empresarial na Rússia está em transição das pessoas criadas na era soviética para as criadas na época pós-soviética. A mudança de atitudes afeta muitas facetas do país e constitui melhores oportunidades.

A era comunista ainda não desapareceu completamente, mas está sumindo. Um ocidental que viaja regularmente para a Rússia me disse, por exemplo, que os funcionários que controlam os passaportes costumavam ser rudes, mas agora são extremamente educados. Baseado em minha experiência pessoal, disse a ele que um oficial grosseiro ainda segue lá. Mas, durante a minha jornada, encontrei pessoas prestativas e amigáveis em Moscou e ouvi dizer que o comportamento é semelhante em outras cidades.

A velha piada soviética entre os trabalhadores era: “eles fingem que nos pagam, e nós fingimos trabalhar”. Mas as empresas estão mais competitivas agora, com foco em produtividade e eficiência. Um executivo de uma grande instituição financeira disse que costumava levar um mês para um único documento ir de um departamento para outro. Agora, a maioria de seus documentos é transmitida eletronicamente, o que facilita e aprimora o trabalho.

Outro executivo com quem falei percebeu a ênfase na eficiência, ao livrar as empresas de inutilidades e projetos malogrados. A ideia agora é que, se você precisar de serviços ou produtos para o seu escritório na Rússia, você poderá encontrá-los a um preço competitivo.

O serviço de atendimento ao cliente foi medido de várias maneiras. A mulher que dirigiu os recursos humanos para a Copa do Mundo explicou, em uma palestra a que assisti, como 20 mil voluntários haviam sido treinados em atendimento ao cliente, com todos os funcionários nos estádios de futebol. Esses funcionários manterão pelo menos parte desse treinamento nos próximos anos, estabelecendo padrões mais altos de atendimento ao cliente do que o esperado.

A força de trabalho tem um bom nível de educação, perdendo apenas para o Canadá no quesito maior percentual de população com educação pós-secundária, segundo estatísticas da OCDE. Este é um país de primeiro mundo, mas ainda enfrenta alguns desafios educacionais.

LEIA TAMBÉM: Os 10 países onde os super-ricos mais crescem

O custo do trabalho na Rússia não é barato em comparação a outros países asiáticos, mas é uma barganha contra qualquer alternativa da Europa Ocidental. A taxa de desemprego na Rússia é a mais baixa em muitos anos e um pouco abaixo da média da OCDE, mas não tão baixa quanto no Japão.

A Rússia é uma nação grande e variada, e me dei conta disso ao ver pessoas mais pobres nas regiões orientais e rurais.

Os desafios

A corrupção parece ser menos comum do que eu esperava, por mais que eu possa não ter escutado somente a verdade. Certamente a era de transição, na década de 1990, foi o ponto alto de suborno e violência. A competição da época poderia ser chamada de cruel, e assassinatos por tiros e bombardeios eram mais comuns do que facas no pescoço. Os visitantes estrangeiros eram aconselhados a contratar guarda-costas, e os hotéis se protegiam com equipes de segurança que usavam metralhadoras.

O ambiente de negócios parece se basear na competição tradicional acerca de preço e qualidade, em vez de apoio político, mas as preocupações ainda persistem. Um empreendedor de alta tecnologia na Rússia, que também trabalha ao redor do mundo, diz que os programadores russos hesitam em localizar suas startups no país, porque a propriedade intelectual pode ser facilmente aproveitada por concorrentes politicamente conectados. Certamente, existem empresas de tecnologia na Rússia. A Yandex é a maior, e apesar de ser incorporada na Holanda, é a empresa com a maior participação no mercado de pesquisa, e também fornece serviços de comércio eletrônico e de transporte.

A forma de pensar dos principais russos em relação à matemática e ciência da computação se deve, em parte, a essa falta de startups regionais, além de muitas oportunidades no exterior.

Por mais que o ensino superior seja difundido, a qualidade foi questionada por alguns. Os melhores estudantes de toda a Rússia vão para as melhores universidades de Moscou, e agora cada vez mais para as melhores faculdades do mundo. Ainda que seja um país desenvolvido, a equivalência dos russos na educação em relação ao Estado da Carolina do Norte ou da Universidade de Oregon, nos EUA, por exemplo, são muito mais baixos em qualidade do que a de outros países em ascensão.

AINDA: 10 escolas que mais apoiam empreendedoras

As sanções da administração Trump preocupam as pessoas envolvidas em negócios internacionais na Rússia, mas com pouco efeito. Moscou parece próspera para mim. A última taxa nacional de desemprego foi um recorde de 4,7%, com um crescimento salarial significativamente maior do que a inflação geral. O crescimento do PIB caiu com os preços do petróleo em 2015, mas se recuperou recentemente.

As sanções têm maior probabilidade de impactar o comércio internacional. Transações dentro da Rússia ocorrem sem restrições. As empresas estrangeiras que consideram negócios no país devem pesquisar a questão das sanções com cuidado, pois mudanças ocorrem rapidamente.

Conclusão

A Rússia é cheia de oportunidades. É uma economia grande, com uma força de trabalho muito bem estruturada. Provavelmente tem a maior quantidade de recém-formados do mundo. A corrupção ainda é um grande risco para os negócios. Quanto mais uma empresa está presa à Rússia por meio de grandes despesas de capital ou custos de aquisição, maior a ameaça. Para uma empresa que pode ter baixos custos, a corrupção pode ser uma preocupação gerenciável.

Copyright Forbes Brasil. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, total ou parcial, do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, impresso ou digital, sem prévia autorização, por escrito, da Forbes Brasil (copyright@forbes.com.br).