Kits analisam microbiomas dentro do seu corpo

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A empresa de Jessica Richman foi a primeira a comercializar o sequenciamento de microbiomas para o público

O que são microbiomas?
Jessica Richman: São os trilhões de micro-organismos que vivem em nós: bactérias, fungos, vírus. Eles afetam nossa saúde, e agora podemos sequenciá-los como fazemos com o DNA. Minha empresa, a uBiome, foi a primeira a comercializar o sequenciamento de microbiomas para o público.

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O que você oferece exatamente?
JR: Um de nossos produtos é um kit de exames em casa que mostra como sua dieta afeta sua saúde. Os outros dois exames são pedidos por médicos – um examina problemas como a doença de Crohn e o outro procura doenças sexualmente transmissíveis.

Como a uBiome conseguiu dinheiro?
JR: Fizemos crowdfunding. Em apenas dez semanas, conseguimos levantar US$ 350 mil.

Não foi arriscado fazer crowdfunding, no sentido de que poderia parecer algo não muito sério?
JR: Milhões de pessoas que não são cientistas querem participar da ciência. Eu chamo isso de “ciência cidadã”. A ciência é uma área muito restritiva. Se você não tem doutorado ou não trabalha numa universidade ou em instituições de pesquisa, você não é um “cientista”. Isso é uma ideia boba. Milhões de cientistas amadores podem fazer um bom trabalho se você permitir que eles tenham acesso aos dados.

Você levantou US$ 22 milhões com empresas tradicionais de capital de risco, entre as quais a Andreessen Horowitz. O que acha da previsão de Marc Andreessen de que teremos assistência médica de código aberto?
JR: Ele está certo, embora essa seja uma questão delicada na área de saúde por causa da privacidade dos dados. Os clientes mais jovens parecem mais dispostos a abrir mão da privacidade em troca de um produto bom e de baixo custo. É algo geracional, em parte. Por outro lado, alguns clientes querem pagar em bitcoins para manter o anonimato.

O que vem pela frente?
JR: Existem correlações interessantes entre os microbiomas do intestino e da gengiva e a saúde geral: distúrbios muitas vezes difíceis de tratar, como a doença de Lyme e a fadiga crônica. E até mesmo questões ligadas à saúde mental.

Reportagem publicada na edição 61, lançada em setembro de 2018

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