Barão da mídia luta por seu império na Índia

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A empresa havia anunciado em novembro que Chandra planejava vender até metade de sua participação de 41,6% na Zee.

O barão da mídia Subhash Chandra lutou durante todo o final de semana para tentar reverter os estragos de uma reportagem que alegou que seu conglomerado, o Grupo Essel, está ligado a uma empresa sob investigação do Escritório de Investigação de Fraudes Graves da Índia (SFIO, da sigla em ingês) por transações suspeitas. O grupo negou as acusações, mas isso não impediu que as ações da Zee Entertainment Enterprises e da Dish TV India caíssem 31% e 38%, respectivamente, na sexta-feira (25).

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Depois que Chandra realizou uma maratona de encontros com credores, incluindo bancos, fundos mútuos e empresas financeiras não bancárias no fim de semana, os papéis recuperaram algumas de suas perdas. A Zee ganhou 17% ontem (28), enquanto a Dish TV subiu perto de 7%.

Segundo um relatório da semana passada divulgado pelo portal de notícias “The Wire”, o SFIO está sondando uma empresa chamada Nityank Infrapower para obter mais informações sobre depósitos de mais de 30 bilhões de rúpias (cerca de US$ 421 milhões) depois da desmonetização, em novembro de 2016, quando o primeiro ministro Narendra Modi invalidou quase 86% do total da moeda corrente do país. A reportagem diz que o Nityank e um grupo de negócios de fachada realizaram transações financeiras que envolveram algumas empresas associadas ao Grupo Essel.

Um especialista em mídia de Mumbai – que não quis se identificar porque não tem autorização para falar sobre o assunto – disse que as ações de algumas empresas do conglomerado foram afetadas em função do nível de endividamento e da promessa dos fundadores de usarem uma parte de seus papéis nas companhias listadas como garantia. Segundo ele, os investidores estão preocupados com os prejuízos caso o grupo seja arrastado para uma investigação e, consequentemente, se torne insolvente. “Mas essa queda não tem nada a ver com os negócios fundamentais da Zee ou da Dish”, acrescentou.

Em um comunicado à bolsa de valores, o Grupo Essel disse que o Nityank Infrapower era um negócio independente que não pertencia ao conglomerado, e todas as dúvidas do SFIO relacionadas à desmonetização foram direcionadas a ele. Acrescentou ainda que, em julho e agosto do ano passado, a instituição de investigação solicitou informações e documentos relacionados a algumas transações de empresas do Grupo Essel e todos eles foram fornecidos. Uma vez que “nenhuma informação adicional foi posteriormente solicitada, o assunto foi dado como encerrado pelo Grupo Essel”.

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Chandra dedicou o final de semana à missão de acalmar os nervos dos investidores. Em outro comunicado, a empresa disse que chegou a um “entendimento com os credores”.

A empresa havia anunciado em novembro que Chandra planejava vender até metade de sua participação de 41,6% na Zee. Para isso, havia nomeado a Goldman Sachs na Índia como banco de investimento e a LionTree Advisors, com sede nos Estados Unidos, como a consultora estratégica internacional.

A Zee é a primeira emissora privada da Índia e não terá escassez de potenciais pretendentes, dizem os especialistas em mídia. Segundo um relatório publicado no jornal “Business Standard”, a Reliance Jio, de propriedade de Mukesh Amabani, também está interessada em adquirir a participação. A Reliance já tem fatias de várias empresas de mídia na Índia, e a Zee, com seu vasto conteúdo e amplo alcance de clientes, se encaixaria bem com a Jio, cujos consumidores usam o plano de dados de baixo custo para assistir à programação em seus smartphones comprados com desconto.

“Temos como política não comentar as especulações e rumores da mídia. Nossa empresa avalia várias oportunidades de forma contínua”, disse um porta-voz da Reliance.

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