Dados de 2,5 milhões de pessoas vazam na China

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Informações são da solução de reconhecimento facial da SenseNets

A empresa SenseNets, que opera sistemas de reconhecimento facial na China, teve as informações de 2,5 milhões de pessoas vazadas depois de deixar um de seus bancos de dados desprotegido.

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O caso foi descoberto pelo pesquisador holandês de cibersegurança Victor Gevers, que trabalha para a GDI Foundation, organização sem fins lucrativos dedicada a questões relacionadas à segurança digital. “A SenseNets cria sistemas de segurança com base em inteligência artificial para reconhecimento facial, análise de multidões e verificação pessoal”, comentou o especialista pelo Twitter. Segundo ele, o IP (número que identifica um dispositivo em uma rede) da empresa está exposto e pode ser acessado por qualquer pessoa na rede, assim como os registros de milhões de pessoas.

O banco de dados dos usuários continha os números do registro civil, dados de localização e rastreamento das últimas 24 horas, sexo, nacionalidade, endereço, foto do passaporte, aniversário e até empresa onde trabalham. Ao que parece, Gevers já havia relatado o problema em julho do ano passado à SenseNet.

A companhia tomou a decisão de proteger o banco de dados com um firewall, mas já era tarde demais – as informações já haviam vazado.

Por que isso é um problema

O caso pode representar uma grande preocupação – e não apenas para os milhões de afetados na China. A vigilância chinesa não é como qualquer outra: o país tem um sistema de pontuação de crédito social e está usando reconhecimento facial para tudo, desde policiamento até rastreamento de movimentos para prever crimes, como visto no filme “Minority Report – A Nova Lei”.

Embora a China seja um exemplo extremo, os Estados Unidos e o Reino Unido também estão começando a usar reconhecimento facial para identificar criminosos.

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A tecnologia está sendo testada pela polícia inglesa, mesmo após a divulgação de altas taxas de erro. Em dezembro do ano passado, ela foi usada para examinar o rosto de compradores durante o Natal em Londres, além de já ter sido usada em 2016 e 2017 no Carnaval de Notting Hill.

Enquanto isso, a equipe de segurança da cantora Taylor Swift implementou o reconhecimento facial durante sua turnê “Reputation World Tour” para erradicar seus stalkers.

Ao mesmo tempo, investidores da Amazon estão pedindo à companhia que suspenda as vendas de seu software de reconhecimento facial para as agências do governo, por temerem que a tecnologia possa ser usada para violar os direitos das pessoas.

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