As novas ferramentas em sala de aula

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Happy Code: tecnologia dos 6 aos 17 anos

A revolução digital nas escolas brasileiras ocorre de forma desigual, mas é possível identificar algumas tendências nesse processo disruptivo dentro das salas de aula. Algumas novas tecnologias estão impulsionando o aprendizado e enriquecendo as práticas pedagógicas. O conteúdo baixado em nuvem, por exemplo, com o uso de dispositivos e aplicativos de baixo custo de fornecedores como Google e HP, ajuda o armazenamento do conteúdo escolar. Daniel Newman, analista principal da Futurum Research e colaborador da FORBES USA, prevê um aumento de investimentos em realidade aumentada por parte das universidades. A ferramenta vai facilitar atividades como visitas às instalações físicas de instituições. Outra vantagem está na exploração de material didático pelos professores.

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Inteligência artificial e machine learning estão entre as principais apostas para o setor em 2019, segundo os analistas ouvidos nesta reportagem. Entre as facilidades que essas tecnologias favorecem está a personalização dos estudos, com a possibilidade de contabilização dos pontos mais fortes e mais fracos de cada aluno, ajudando a aprimorar o desempenho individual. A IA, por exemplo, pela coleta e interpretação de dados, permite verificar em quais conteúdos o estudante está defasado ou adiantado em relação aos colegas de turma ou até de outras escolas.

Outra tendência relevante é disponibilizar cada vez mais conteúdo em vídeos. Relatório publicado pela Cisco em 2018 aponta que, no próximo ano, 80% de todo o tráfego da internet será gerado nesse formato – a evidência dessa previsão é a legião de crianças e jovens seguidores de youtubers. O aumento de aulas de robótica nas instituições de educação básica também deverá ser percebido nos próximos anos, com a fabricação, inicialmente, de modelos mais simples e práticos.

Soft skills: uma nova fronteira

Mas a revolução pedagógica não se restringe aos avanços tecnológicos. Entre as novas habilidades exigidas em classe estão as competências socioemocionais, as chamadas soft skills, que já foram incorporadas pelas escolas de vanguarda do país.

A Happy Code, escola de tecnologia que oferece cursos de robótica, criação de games e formação de youtubers para crianças de 6 a 17 anos, aponta que há muito mais a ser feito para preparar “a próxima geração de profissionais”. Para Rodrigo Santos, fundador e CEO da empresa, “somente saber usar tecnologia, ou mesmo criar com ela, já não faz mais sentido atualmente. A expertise de transformação digital não é só técnica, ela é comportamental”.

Instituições de Ensino Superior como o Insper, que mantém um laboratório para projetos de fabricação digital (chamado de FabLab), também têm focado nas competências emocionais aliadas à inovação. “A experiência em projetos é fundamental, bem como a exposição a elementos como tomada de decisão em processos decisórios coletivos e a resolução de conflitos, que trazem uma formação muito relevante,” aponta o gerente do FabLab, Daniel Krás Borges da Silveira.

O FabLab, que conta com professores para auxiliar no desenvolvimento de protótipos e no manuseio de equipamento como fresadoras e impressoras 3D, foi idealizado para o curso de engenharia, mas também tem atraído o interesse de alunos de educação executiva. “Níveis gerenciais e estratégicos estão buscando entender como prototipagem rápida e uso de redes distribuídas de produção e customização podem contribuir para o negócio,” diz Silveira.

Reportagem publicada na edição 63, lançada em novembro de 2018

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