Canadá investe US$ 2 bi em empreendedoras

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A estratégia busca dobrar o número de empresas pertencentes a mulheres

O Canadá está acelerando sua economia por meio das mulheres. O plano do governo de empreendedorismo feminino, batizado de “Women Entrepreneurship Strategy” (WES), já conta com investimentos de US$ 2 bilhões. “Temos o potencial de adicionar até US$ 150 bilhões em incremento do PIB à economia canadense”, disse Mary Ng, ministra de Pequenos Negócios e Promoção das Exportações. “Nosso governo acredita que o empoderamento econômico das mulheres não é apenas a coisa certa a fazer – é bom para o resultado final. A estratégia busca dobrar o número de empresas pertencentes a elas.” Atualmente, apenas 16% de todas as empresas de pequeno e médio portes no Canadá são majoritariamente de mulheres.

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Esses programas aproveitam o apetite crescente das mulheres canadenses para se tornarem empreendedoras. Elas estão iniciando negócios em uma taxa mais alta do que suas contrapartes em todos os outros países do G20, grupo informal de 19 nações e a União Europeia, com representantes do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial. “O Canadá tem observado uma onda de empreendedorismo em sua economia nos últimos 20 anos e as mulheres têm estado na vanguarda, com o lançamento de negócios a taxas que, muitas vezes, superam a dos homens”, diz Karen Hughes, professora da Alberta School of Business da Universidade de Alberta e autora do “Global Entrepreneurship Monitor” (GEM) de 2015-2016 sobre o empreendedorismo feminino canadense.

Durante os próximos cinco anos, o “WES Ecosystem Fund” investirá até US$ 85 milhões em treinamento, eventos de networking, oportunidades de orientação, aceleradoras e incubadoras, assim como em programas de diversidade que oferecem oportunidades de desenvolvimento de negócios para agências governamentais e grandes corporações. O programa destinará US$ 8,62 milhões adicionais para o “Women Entrepreneurship Knowledge Hub”, uma fonte única para conhecimento, dados e melhores práticas.

Evidências revelam que empreendedoras têm menor probabilidade de buscar financiamento por dívidas e ações, além de serem mais propensas a serem rejeitadas ou receber menos dinheiro quando o requisitam. O WES criou o “Women Entrepreneurship Fund”, fundo de US$ 20 milhões que dará até US$ 100 mil em subsídios para empresárias que buscam oportunidades de marketing no exterior e que estão expandindo negócios, assim como outras iniciativas.

Levantar capital de risco é difícil para qualquer um – mas pode ser especialmente desafiador para as mulheres. Apenas 10% de todas as empresas canadenses que estão ganhando escala têm lideranças femininas. E, apesar do melhor desempenho das companhias lideradas por mulheres, a probabilidade de o capital de risco ser aplicado nessas empresas é muito menor do que em outras comandadas por homens. Embora o Canadá tenha o dobro da porcentagem de mulheres ligadas ao capital de risco em grandes empresas do que os Estados Unidos, a taxa de 14% ainda é baixa.

O fundo do Business Development Bank of Canada, “Capital Women in Technology” (WIT), investirá US$ 200 milhões nos próximos cinco anos para ajudar a preencher esta lacuna. Os recursos serão para empresas de tecnologia lideradas por mulheres ou colideradas nos estágios iniciais e seguintes. As companhias do portfólio incluem a A&K Robotics, uma empresa de tecnologia autônoma, a Lufa Farms, um site de comércio eletrônico, e a Swift Medical, uma empresa digital do setor de saúde.

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Para as mulheres terem participação igual nos negócios, será necessário mais do que treinamento e financiamento. Mudanças na política pública são primordiais. “Modernizamos a licença parental”, disse Mary. Para mulheres, o empreendedorismo é percebido como uma oferta de maior flexibilidade para alcançar um equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal, segundo o relatório da Fundação Ewing Marion Kauffman “Labor after Labor”. Saber que seus maridos, esposas e outros familiares tiveram folga para cuidar de um recém-nascido garante que todas as empreendedoras – não apenas aquelas com dinheiro – tenham o apoio necessário após o parto.

“Cuidados infantis acessíveis e de boa qualidade têm efeitos notavelmente positivos”, diz Joyra Misra, professora de sociologia e política pública da Universidade de Massachusetts. Países com níveis mais elevados de cuidados infantis subsidiados publicamente têm números significativamente mais elevados de emprego e salários maternos. “O cuidado acessível é o grande equalizador. Tem efeitos tremendamente positivos, apoia o trabalho e os salários das mulheres em todos os estágios educacionais e limita o risco de pobreza para as famílias com filhos”, aponta ela.

O governo canadense também está oferecendo 40 mil espaços de cuidados infantis acessíveis, tornando mais fácil e conveniente para as empreendedoras voltarem a cuidar de seus negócios.

Contudo, sozinho, o governo não consegue criar o ambiente no qual empreendedoras prosperem. É preciso a criatividade e a paixão delas. Elize Shirdel fundou o Datenight Babysitting – um aplicativo que conecta famílias a babás locais. Ela estabeleceu uma parceria com um instituto da Ryerson University para ajudar a fornecer assistência infantil gratuita a outras mães que estão tentando empreender.


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