Startups unem tecnologia para substituir corpos

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A plataforma que simula o corpo humano

O uso de cadáveres humanos e de animais para o ensino de anatomia vem sendo gradualmente substituído por novas tecnologias, desde plataformas virtuais de aprendizado até os chamados modelos realísticos, que simulam com materiais sintéticos os tecidos e as funções de um corpo real. A união das duas tecnologias é o que promete a joint venture entre a startup brasileira Csanmek e a americana Syndaver Labs, de Tampa, na Flórida.

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No mercado há quatro anos, a Csanmek criou uma plataforma de simulação cirúrgica e dissecação virtual. O equipamento funciona como uma mesa que exibe modelos detalhados em 3D de todos os sistemas do corpo humano. A tecnologia está presente em 70 instituições no Brasil e já é exportada para oito países. A Syndaver Labs, por sua vez, começou a desenvolver os primeiros protótipos para substituir corpos e tecidos humanos na década de 1990, mas a empresa só deslanchou sua operação comercial nos últimos seis anos, com o desenvolvimento de modelos realísticos para cada órgão do corpo humano, sistemas (circulatório, nervoso, entre outros) e até o corpo completo. “Com a joint venture, as duas tecnologias passam a ser integradas”, explica Claudio Santana, fundador e CEO da Csanmek.

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Claudio Santana, fundador e CEO da Csanmek

A operação no país incluirá a fabricação exclusiva dos modelos humano e canino, para ensino veterinário, com protótipos capazes de ter reações físicas e que podem ser cortados e suturados. Já as plataformas virtuais, expertise da Csanmek, devem reforçar o portfólio da Syndaver Labs nos EUA.

Após trabalhar como representante de vendas no Brasil de uma empresa europeia de mesas anatômicas, Santana vislumbrou uma oportunidade de negócios e resolveu empreender no ramo, em 2014. Raspou a poupança, vendeu dois carros, pegou empréstimo no banco e investiu R$ 400 mil no novo negócio, mas amargou os seis primeiros meses sem vender um único equipamento. O salto veio quando passou a oferecer a hospitais e escolas de medicina o equipamento vinculado a treinamentos, o que fez o faturamento saltar de R$ 300 mil em 2015 para R$ 10 milhões em 2017.

A participação em feiras internacionais do segmento deu visibilidade à tecnologia e tornou possível a aproximação com a Syndaver. Agora, as duas startups traçam um plano internacional de expansão das tecnologias que deve obedecer, contudo, ao ritmo de produção dos modelos realísticos, onde vários componentes do corpo humano ainda são feitos à mão. “Algumas partes do corpo são feitas por nossos artistas; outras, por impressão 3D. A fábrica lembra mais um ateliê”, diz Bill Wright, CEO da Syndaver Labs.

O modelo realístico de um corpo humano completo, com mais de 250 componentes, pode custar até US$ 100 mil.

Reportagem publicada na edição 63, lançada em novembro de 2018

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