Fintech mapeia em tempo real a economia mundial

Jamil Toppin
Marc DaCosta e Hicham Oudghiri, da Enigma: mapeando a economia mundial

Quanto custou a paralisação do governo dos EUA? Depois de 35 dias de impasse, entre dezembro de 2018 e janeiro de 2019, US$ 6.354.845.148 em salários não tinham sido pagos a 747.573 funcionários federais. Cada segundo que passava acrescentava US$ 2.118 a essa cifra. Compreender a magnitude e os detalhes dessa disrupção não foi pouca coisa. A Enigma, uma fintech nova-iorquina, tabulou os custos crescentes em tempo real em um site que montou, chamado Government Shutdown 2018-2019. Vasculhou 2 mil páginas e 2 milhões de linhas de planilhas federais para criar o sistema. Da ideia ao lançamento, usou 36 horas de três softwares de processamento.

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A capacidade da Enigma de decifrar com rapidez dados de diversas fontes desconectadas, públicas e privadas, e criar uma visão personalizável da economia mundial atraiu algumas das principais empresas do mundo, da BlackRock ao PayPal. Muitos clientes pagam mais de US$ 1 milhão por ano para ter acesso às percepções da fintech.

A Enigma é uma criação de Hicham Oudghiri e Marc DaCosta, ambos de 34 anos e melhores amigos desde que se conheceram na graduação em filosofia na Universidade de Colúmbia. A startup deles organiza informações de milhares de fontes do mundo inteiro em uma única interface repleta de links. “Não se trata de um microprocessador mais rápido ou de estatísticas melhores. A Enigma é um gráfico de conhecimento do que está acontecendo na economia”, diz DaCosta.

A jornada de Oudghiri e DaCosta até o ramo de mineração de dados começou após a crise financeira de 2008. DaCosta fazia pós-graduação em antropologia cultural de dados na Universidade da Califórnia em Irvine, enquanto Oudghiri administrava projetos de energia renovável para o BCME Bank em Casablanca, no Marrocos. Ambos tinham a curiosidade de explicar o mundo à luz das disrupções globais em andamento. Assim, eles se reencontraram e começaram a organizar dados disponíveis publicamente, começando pelos registros de voo da Administração Federal de Aviação. Em 2011, constituíram a Enigma. Em 2014, levantaram US$ 4,5 milhões com a Comcast, American Express e New York Times Co.

Se um fundo de hedge quiser saber quais redes de restaurantes estão crescendo mais rapidamente, a Enigma pode verificar os registros da Comissão Federal de Comunicações referentes a licenças de rádio, que são necessárias para abrir janelas de drive-through. As seguradoras usam a Enigma para avaliação de riscos, e as companhias farmacêuticas consultam as máquinas de processamento de dados da empresa para aumentar a segurança dos medicamentos.

Nos últimos sete anos, US$ 130 milhões em capital fluíram para a Enigma, vindos de investidores de risco. A Forbes calcula que as receitas cheguem a US$ 30 milhões por ano – ela dobrou sua base de clientes em 2018 – e que a avaliação da empresa esteja na casa dos US$ 750 milhões.

Reportagem publicada na edição 66, lançada em março de 2019

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