Conheça a estudante que lançou sozinha uma marca milionária de biquínis

Divulgação
A lucrativa marca Pinkcolada arrecada cerca de 1,5 milhão de dólares australianos por ano

Resumo:

  • Ao precisar de dinheiro durante a faculdade de medicina, Ana Gavia começou a vender modelos próprios de biquínis pela internet;
  • Ela percebeu que começar, ainda que com pouco capital, era uma boa oportunidade;
  • Seu design ainda é um sucesso e, hoje, sua marca, Pinkcolada, fatura mais de US$ 1 milhão.

Ana Gavia, 26 anos, nunca pretendeu se tornar uma empreendedora. Ao procurar uma maneira de ganhar dinheiro enquanto estudava medicina na Universidade La Trobe, na Austrália, decidiu começar a vender pela internet biquínis que havia desenhado. Ela cresceu em uma cidade praiana e sempre teve problemas para encontrar roupas de banho acessíveis e que a agradassem.

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“Sempre amei o lado criativo das coisas”, diz. Ana, que é autodidata em design, desenhou um biquíni e encontrou uma fábrica na China, que criou uma amostra única e de tamanho médio. Ela colocou uma foto em seu site e veiculou alguns anúncios promovidos no Facebook. “Acho que meu orçamento na rede social foi de US$ 5”, conta.

Uma semana depois, ela fez sua primeira venda. Ana logo investiu em mais propagandas para anunciar pré-encomendas. “Muitas pessoas se preocupam por começarem com pouco capital”, diz. Ela, no entanto, viu isso como uma boa oportunidade.

Conforme as encomendas chegavam, Ana foi à China para verificar a fábrica e se certificar de que a fabricação das roupas era adequada. Satisfeita, ela usou o dinheiro que já havia ganho para fabricar seu primeiro lote de cerca de 100 biquínis. Isso foi em 2017. Felizmente, o design foi um sucesso imediato.

Hoje, diz Ana, o design ainda é um grande sucesso e sua lucrativa marca, Pinkcolada, arrecada cerca de 1,5 milhão de dólares australianos por ano, o que representa um pouco mais de US$ 1 milhão. Com o seu negócio crescendo rapidamente, Ana trancou sua matrícula para trabalhar em tempo integral, embora queira retornar ao curso de medicina para fazer pesquisas, após ter perdido sua mãe para o câncer.

Ana faz parte de uma tendência de crescimento rápido, na qual os fundadores criam negócios de milhões de dólares antes de contratar uma equipe de funcionários fixos. Nos EUA, havia 36.984 empresas não-empregadoras, sem funcionários remunerados, exceto os proprietários, que arrecadavam de US$ 1 milhão a US$ 2,49 milhões por ano em 2017, um aumento de 2% em relação aos 36.161 de 2016, segundo estatísticas do Censo recentemente divulgadas. Esse número saltou 38% em relação a 2011, quando havia 26.744 empresas do tipo.

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Ana conta que descobriu que administrar um negócio, por mais bem-sucedido que seja, é mil vezes mais difícil do que ir para a faculdade de medicina. Sonhar com designs de biquínis pode parecer fascinante, mas ela também precisou passar por tarefas mais comuns, como imprimir etiquetas de envio e colá-las nas embalagens quando não podia pagar por uma impressora.

Nos momentos mais desafiadores, ela descobriu que ter um negócio “pode ​​ser um lugar sombrio e difícil de estar, especialmente, quando você faz isso sem experiência”.

 

Reprodução
“Sempre amei o lado criativo das coisas”, diz Ana Gavia

 

“Se você não se adaptar, vai fracassar”, diz a empreendedora. “Você tem de ter essa automotivação para continuar. E tem de permanecer racional ao mesmo tempo.” Ela se descreve como “teimosa” e, se alguém lhe disser para fazer algo de uma maneira, tentade um jeito diferente”. “Ao longo do caminho, você aprende muitas coisas e apresenta ideias que ninguém imaginou”, diz.

Ana afirma que ter sido criada por imigrantes macedônios que administravam uma banca em um mercado local em Newcastle, na Austrália, deu a ela uma base sólida para superar os desafios do rápido crescimento. As atitudes de seus pais lhe deram um forte apreço pelas oportunidades à sua frente, o que lhe ensinou disciplina, foco e motivação.

Com seu site estabelecido nos EUA, ela planeja lançar um terceiro endereço digital na Europa. “Muitas pessoas dizem que eu deveria vender nas lojas”, acrescenta. “Mas, no momento, até ganhar um pouco mais de força e exposição, gostaria de manter o negócio mais exclusivo.”

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A empresária não considera abrir sua própria loja, pelo menos não ainda. “Eu sempre fui mais introvertida”, diz. “Nunca me imaginei na administração de uma loja física sozinha.”

Veja, na galeria de fotos abaixo, sete dicas que se pode aprender com Ana:

  • Adeque a ideia ao seu capital inicial

    Com apenas US$ 200 em sua conta bancária, Ana sabia que não conseguiria se dar ao luxo de fabricar vestidos, já que poderia facilmente gastar cerca de US$ 50 para fabricar um único modelo de alta qualidade. Ao fazer um brainstorm sobre itens que seriam viáveis para fabricar com pouco capital, ela chegou a biquínis, que, claro, não exigem muito tecido. A empreendedora se concentrou em criar estilos elegantes e duradouros.

  • Tenha criatividade na fabricação

    A maioria das fábricas não quer acordar pequenas tiragens, já que não são muito rentáveis. Depois de usar suas habilidades de pesquisa acadêmica, Ana descobriu uma fábrica na China que estava aberta para atender pedidos que totalizavam menos de US$ 1 mil. “Se você procurar bastante e encontrar uma fábrica menor, eles fornecerão esse serviço”, diz. “A empresa com a qual trabalho é muito pequena. Ajudei-os a crescer, e eles também me ajudaram.”

  • Trabalhe com o que funciona

    Fortalecida por seu sucesso nas vendas, Ana projetou mais três modelos de bíquini e colocou fotos em seu site. Ela os anunciou no Facebook para avaliar a resposta de seu público-alvo. Foi uma maneira fácil de reduzir o risco de investir em um design que não vendesse. “Especialmente quando estiver começando com pouco, você não vai querer colocar seu dinheiro em algo que não irá gerar vendas”, diz. “Basta observar o engajamento, ver qual deles recebe mais curtidas, comentários e elogios.” Para consistência em suas comparações, ela segmentou o mesmo público com cada anúncio.

  • Deixe os preconceitos de lado

    Ana diz que, originalmente, achava que os adolescentes seriam seus principais clientes e anunciava seus produtos para eles. Depois, percebeu que havia interesse além desse grupo. Hoje, concentra-se em mulheres de 18 a 45 anos e, além de biquínis pequenos, oferece uma boa variedade de outros modelos. “Quero expandir minha marca para atender a todos.” A empreendedora compartilha fotos de mulheres reais de todos os tipos de corpo no Instagram.

  • Invista em produtos de qualidade

    Consciente de quão frustrantes podem ser as falhas em biquínis, Ana se certificou de incluir melhorias como alças ajustáveis ​​e sustentação para os seios. “Não venderia nada que não vestiria ou não ficaria feliz”, diz.

  • Aprenda com os erros de precificação

    Originalmente, Ana cometeu o erro de desvalorizar seus produtos, sem saber o que precisava cobrar para ser lucrativa. “Eu provavelmente trabalhei de graça por um período”, diz. “Ao mesmo tempo, descobri que era importante que as pessoas conhecessem a marca para divulgá-la de alguma forma.”

    Felizmente, muitas clientes gostaram dos bíquinis que compraram em seu site, voltaram e adquiriram outros modelos. Agora que entende o custo total para fabricar seus itens, ela atualizou seus preços para que seu negócio seja sustentável.

    No seu site norte-americano, uma variedade de tops e calcinhas de biquíni estão disponíveis por preços de US$ 40 a US$ 50. Os estilos incluem tomara-que-caia, designs tradicionais e com amarração.

  • Saiba quando investir em crescimento

    Ana inicialmente administrava tudo de casa, em Melbourne, na Austrália, mas, quando seu negócio cresceu, ela alugou um escritório e um depósito. Ela ainda é a única funcionária da empresa, embora esteja procurando contratar uma equipe de atendimento ao cliente para ajudá-la. “Durante um ano inteiro, eu parecia um robô”, confessa. Ao expandir seus produtos para um mercado muito maior, como o dos EUA, por meio de um novo site chamado Pinkcolada.us, há três meses, a empreendedora viu um crescimento rápido.

Adeque a ideia ao seu capital inicial

Com apenas US$ 200 em sua conta bancária, Ana sabia que não conseguiria se dar ao luxo de fabricar vestidos, já que poderia facilmente gastar cerca de US$ 50 para fabricar um único modelo de alta qualidade. Ao fazer um brainstorm sobre itens que seriam viáveis para fabricar com pouco capital, ela chegou a biquínis, que, claro, não exigem muito tecido. A empreendedora se concentrou em criar estilos elegantes e duradouros.


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