Mundo cripto: onde está o Brasil nesse universo?

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Mesmo dominando o cripto mercado latino, o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer

Resumo:

  • O Brasil movimenta o maior volume em transações com criptomoedas na América Latina;
  • Mesmo assim, investidores brasileiros ainda não conhecem ou escolhem não entrar na criptoeconomia nacional;
  • Gin Chao, o gerente de produto da maior corretora de criptomoedas do mundo, aponta como o país pode mudar esse cenário.

O Brasil é líder da criptoeconomia latinoamericana. O país é responsável por mais de metade do volume de negociações com criptomoedas feitas na América Latina atualmente, número que pode chegar a até 65% de acordo com Gin Chao, gerente de estratégias da maior corretora de criptomoedas do mundo, a Binance.

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Apesar disso, a taxa de adesão brasileira à tecnologia cripto é muito baixa, menos de 1%. Comparada a países que adotam criptomoedas em alta escala, o Brasil está apenas começando. A taxa de adesão da Turquia, por exemplo, ultrapassa facilmente os 10%, o que é um número considerável para um mercado emergente.

Em entrevista para a Forbes durante a BlockCrypto Expo 2019, segunda edição do evento anual que reúne profissionais da criptoeconomia e da tecnologia de blockchain, Chao comentou sobre o potencial da libra do Facebook e o futuro do Brasil no mundo cripto.

Impactos da libra no Brasil e no mundo

Tanto para Chao quanto para diversos investidores e analistas presentes no evento, a libra tem um grande potencial. O Facebook e suas aplicações, como o Messenger e o Whatsapp, juntos alcançam bilhões de pessoas. “Independentemente de seu sucesso, a libra tem um impacto positivo pois traz à criptoeconomia uma nova exposição nos principais veículos de mídia,” disse Chao.

Por isso, mesmo que o Facebook não consiga administrar uma moeda digital dessa magnitude, a libra já beneficia o cripto mercado antes mesmo de ser lançada. Em meio a críticas ao Facebook e a suas políticas de privacidade, Chao acredita que a empresa tem os recursos necessários para alcançar o sucesso e oferecer serviços muito interessantes com a libra como uma stable coin – criptomoeda menos volátil, que pode ser atrelada a uma moeda ou até mesmo a commodities.

Como o Brasil pode crescer na criptoeconomia

Para Chao, o Brasil poderia se beneficiar da entrada do real no consórcio de moedas da libra. O Facebook atrelou sua criptomoeda a um número de moedas e ativos em dólar e euro, por exemplo, e incluir o real é um jeito de aumentar a participação do Brasil nesse mercado.

Chao também ressaltou a importância da moeda para o mercado internacional. “O real é uma moeda muito interessante, e é muito significativa do ponto de vista do trading. Trilhões de dólares são negociados na moeda diariamente”, afirma.

Além disso, o gerente de produtos da Binance deu como exemplo uma prática da China que ele acredita ser muito importante para o desenvolvimento do blockchain no país. Lá, o governo oferece um programa no qual estudantes são enviados a grandes faculdades da área de tecnologia internacionais, como Stanford e MIT, e ao voltarem, são incentivados a colocar o que aprenderam em prática.

Uma vez que o talento e o incentivo existem, se os sistemas reguladores colaborarem com o processo – algo que não está acontecendo facilmente nos Estados Unidos, por exemplo – o crescimento da criptoeconomia nacional acontece de forma orgânica e saudável.

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Onde entra o setor privado

Qualquer tecnologia entra no mercado com seus investidores mais precoces e muita especulação, é natural. No Brasil, o blockchain e as criptomoedas ainda estão nessa fase, como Chao disse, com uma taxa de adesão de menos de 1%.

Para o gerente de produto da Binance, assim que o Brasil alcançar uma adoção de aproximadamente 10%, o mercado ficará mais estável, e os investimentos de mais longo prazo acontecerão. Para isso, esse mercado precisa atrair mais investidores profissionais e de venture capital – investidores que esperam crescimento rápido e alta rentabilidade – para que saia do cenário de pura especulação.

“Se investidores entenderem os problemas para os quais o blockchain apresenta soluções e enxergarem nele projetos a longo prazo e valor econômico, o mercado começará a crescer”, pontua. “Uma vez que os investidores souberem o conceito de blockchain, o caminho está aberto para a introdução às criptomoedas.”

O que segurança de dados significa para o brasileiro

Diante da pergunta sobre as questões de privacidade e segurança de dados no mundo cripto, Chao respondeu com outra pergunta: “o Brasil é um país que valoriza a privacidade de dados?”

Embora a resposta possa parecer óbvia, ele explicou que vê esse conceito como um valor tipicamente ocidental. “Nos países asiáticos, as pessoas ficam felizes em compartilhar seus dados pessoais para ter mais conveniência e melhores serviços. Eu sinto que as pessoas dizem que querem privacidade, mas expõe muito de suas vidas pessoais em redes sociais. Acredito que se seus dados são valorizados, elas aceitam compartilhá-los.”

O Brasil nunca teve um escândalo político relacionado à exposição de dados particulares como os Estados Unidos, por exemplo, com a acusação ao Facebook de exposição de dados de seus usuários. Mesmo assim, em casos como o do aplicativo FaceApp e seu possível uso de imagens pessoais, os brasileiros mostraram uma preocupação substancial com o uso de suas informações.

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